JOGO 1 – Atalhos x Mar quente

JOGO 1
(1º jogo do Grupo 1)

Atalhos,
de Luis Dill (WS Editor / 2008)
x
Mar quente,
de Enio Roberto (Dublinense / 2009)

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JUIZ
Carlos André Moreira – Nascido em São Gabriel em 1974, jornalista por formação, diplomado pela UFRGS em 1996. Há sete anos, ocupa a função de repórter cultural e crítico literário do jornal Zero Hora. É também tradutor e escritor. Já publicou contos em antologias e o romance Tudo o que fizemos (Leitura XXI, 2009). Considera isso de escrever sobre si mesmo na terceira pessoa algo muito estranho, mas, por ser o primeiro juiz, resolveu seguir o quanto possível as sugestões dos organizadores.

PRÉ-JORNADA

Os escretes do certame:
Atalhos, de Luís Dill (WS Editor, 96 páginas, 2008)
Vinte histórias que, com o subtítulo “Cenas Brasileiras”, transformam em matéria ficcional casos violentos do cotidiano retirados de notícias de jornal – uma origem que tanto a orelha quanto o ensaio introdutório de Volnyr Santos fazem questão de deixar clara, ainda que desnecessariamente, uma vez que a própria apresentação do livro como uma coletânea ficcional de “cenas brasileiras” torna essa vinculação inócua – a origem jornalística das tramas não influi no que o livro, ou o time, apresenta em termos literários.

Mar quente, de Enio Roberto (Dublinense, 96 páginas, 2009)
Catorze contos que, sem terem uma divisão clara em seções, vão gradativamente passando de histórias centradas em uma virada final surpreendente, na primeira metade do livro, a narrativas mais evocativas e menos preocupadas com o “final-surpresa” na segunda metade. Esta segunda parte centra-se em observações acuradas da subjetividade do personagem. Pontuam essas duas faces do mesmo livro histórias que representam exercícios em gêneros de massa (guerra, horror, FC).

O prognóstico do professor Ruy Carlos Ostermann:
Infelizmente o professor Ruy já estava a caminho da África do Sul e não pôde ser ouvido. Então, vocês vão ter que se contentar com a avaliação do árbitro mesmo. E vai começar a partida.

APITA O ÁRBITRO, BOLA ROLANDO

A partida que inaugura este Gauchão de Literatura não opõe apenas dois contendores em particular, e sim duas escolas de futebol bastante distintas – prometo que não abusarei das metáforas futebolísticas mais do que já fiz até agora, mas o fato de estarmos usando o futebol como pretexto para este campeonato autoriza seu uso, não é mesmo? Como eu dizia, Atalhos e Mar quente têm esquemas bem diferentes: Mar quente joga um futebol mais fechado, com um repertório de jogadas tradicional, um 3-5-2 com bola tocada sem pressa, envolvendo o leitor até tentar surpreendê-lo em um contra-ataque ao fim do conto, revertendo as expectativas que havia criado até ali. Já Atalhos é o adepto do futebol de toque rápido e frases cortantes, muita velocidade em campo, tentando desnortear o adversário por meio de uma constante movimentação. Não apresenta também um esquema rígido de jogo, e sim uma improvisação formal a cada nova abordagem. Mas vamos deixar esta papagaiada metafórica de lado por um tempo para nos fazermos mais claros, ou melhor, para embasar as comparações feitas até aqui.

Atalhos é uma coletânea de contos muito curtos, escritos em linguagem ríspida: frases breves, ágeis, vigorosas. Percebe-se também uma inquietação do autor em variar a forma a cada conto, buscando uma expressão diversa da anterior. Para narrar a história de um jovem que, abandonado pela mãe, é adotado por um casal e se desencaminha por causa do crack, o conto Evangelho emula a linguagem em versículos da Bíblia (ainda que não com total sucesso, já que a prosa da história não mantém durante todo o tempo o tom solene exigido pela proposta, pecando em chavões como um desnecessário “entregue à própria sorte”, no terceiro versículo, primeiro capítulo, ou um coloquialismo deslocado em “chamando eles (sic) de pai e de mãe”, no segundo versículo do segundo capítulo). Logo adiante, os bons contos Papo e Entrevista, como os nomes antecipam, sustentam-se no diálogo entre os personagens, sem descrições ou narrativa. Há histórias estruturadas como esquetes (casos de Roleta e Encontro, que transformam a descrição de ambiente e de ações dos personagens em meras rubricas de roteiro). Para apresentar o subtexto da transformação gradual de uma atriz mirim prodígio em produto de consumo de mídia, o conto Capas se estrutura tão-somente em forma de manchetes e linhas de apoio de capas de revistas de celebridades.

Tal diversidade formal é um recurso não desprovido de riscos. Algumas narrativas – mais notadamente Delete, contada pela leitura de e-mails recebidos pelo protagonista, ou Conteúdo, episódio que intercala diálogos em dois planos temporais, um necessário para o entendimento do outro – assemelham-se a esqueletos de uma narrativa, ressecada ao máximo e transformada em esboço de uma ideia literária não plenamente realizada. Não que a secura e a concisão sejam deméritos, ou que um caminho já trilhado por Rubem Fonseca e Dalton Trevisan não possa ainda dar frutos. Mas é flagrante que os melhores contos são aqueles nos quais Dill se arrisca um pouco mais na criação de uma atmosfera ou de uma situação, com mais detalhes, um panorama, um pano de fundo criado pelo que descreve ou conta. Curriculum, por exemplo, faz isso sem que seu autor abra mão do estilo cortante que considera adequado, como é possível ver no trecho a seguir:

Delegacia caindo aos pedaços, mobília antiga, aparelhagem de gerações anteriores. Um ventilador funciona a intervalos, independente da vontade ou da necessidade humana. A impressora matricial começa a guinchar seus gritos de açougue enquanto folhas se acumulam dentro de uma caixa de papelão mais abaixo. Os três homens permanecem em silêncio solene, como se aquele som fosse capaz de condenar ou absolver. Observam a operação sem se encararem.

Assim como Curriculum, outros contos menos esquemáticos e mais longos presentes no livro se destacam. Festa é narrado do ponto de vista de um assaltante em um ônibus, e não procura a emulação paternalista e preconceituosa que é regra quando escritores se dedicam a reproduzir a “fala popular”. Planta se sustenta na voz de uma empregada que relata seu cotidiano e declina as frias medidas dos aposentos do apartamento de classe alta em que mora e trabalha. Uma enumeração que poderia ser tediosa, mas que provoca um efeito interessante – até o leitor mais distraído não demora a perceber a mensagem: a área do quarto da empregada é menor que a de qualquer banheiro da casa. A enumeração também é o mérito de Brasilianas, que enfileira dez pequenas cenas de violência e impunidade urbana – com um fio condutor angustiante: em todos os casos a violência que os personagens cometeram e não se negam a admitir é sempre descrita como culpa ou iniciativa do outro. Depois de tal desfile de justificativas para atos torpes e banais, está instalado o mal-estar que era o objetivo do conto.

Mar quente vai por outra toada completamente diversa. Há menos experimentalismos formais, e Enio Roberto dedica-se mais a surpreender o leitor com uma história – o que faz as primeiras narrativas do livro terem como ponto de fundamental importância uma surpresa na última frase ou no último parágrafo, uma virada de rumo ou de tom que oferece uma nova versão ou perspectiva para o que foi narrado anteriormente. O que Roberto se dedica a fazer em seu livro é muito semelhante a um truque de prestidigitação: fale com plateia, mexa muito uma das mãos e chame a atenção para o que está fazendo com ela enquanto sorrateiramente deixa algo escapar da manga e realiza o truque com o braço que havia mantido oculto do espectador distraído. Para isso, Enio Roberto precisa investir na sedução – com uma prosa que enrede e desperte o interesse para o universo do personagem antes de desferir o golpe que surpreenderá o leitor.

Não que um conto seja uma peça ficcional que precise necessariamente ser definida por um twist ao final – há pérolas de Tchekhov que comovem sem precisar de uma surpresa ao fim, por exemplo. Mas os contos que colocam essa virada em papel de destaque na sua composição serão, necessariamente, avaliados pela eficiência com que conduzem o leitor até esse ponto – e não são todos os contos de Mar quente que passam nesse teste.

Em Geleira, uma cantora em momento de crise na carreira resolve deixar o Rio e se refugiar na gélida cidade sulista onde iniciou a carreira, fazendo um show para homenagear seus primórdios. Em O sinal da luz, um pai acompanha um filho em visita ao túmulo da mãe. Em Ternura, narra-se o irônico relacionamento de um casal no qual aparentemente o homem não reserva ternura alguma para a mulher com quem está. Montanha 561 é uma narrativa ambientada na Guerra do Vietnã que trabalha de modo muito eficiente a tensão de um soldado americano em uma situação crítica desesperadora. Nessas narrativas – tomadas como exemplo, porque há outras –, o final foi pensado para surpreender o leitor com uma solução inesperada, mas só os dois últimos exemplos conseguem desferir tal surpresa sem telegrafar vários parágrafos antes a conclusão que se está construindo. Uma das chaves para esse sucesso é a extensão do conto – Ternura, cujo final surpreende de fato, tem três páginas, já O sinal da luz, com cinco páginas e uma rebarbinha de uma sexta, deixa adivinhar o que o autor está pretendendo já na terceira. Nem sempre o problema está nessa antecipação do final. Em algum lugar do meu passado tem uma conclusão que realmente surpreende, mas um tom equívoco, entre o rebuscado e o coloquial, que torpedeia a autenticidade do conto, como no trecho abaixo:

Era o que faltava! As mesas numa aquarela só de jovens, a banda tocando clássicos do rock, será que até em aniversário de criança eu tinha de penar? A cerveja, lenitivo ideal para minhas noites de pedra, ao ter-me sido escalada de imediato pela gentil vovó do aniversariante, porém, esvaziaria minhas intenções de fuga.

À medida que o volume avança, as narrativas vão assumindo tons mais evocativos e reminiscentes – algo denunciado no título do conto que fecha o livro, como encerrando um ciclo: Você lembra quando o prado floria?, uma bela e trágica história de amor e arte. Também saem desses textos menos centrados na surpresa final e mais na construção do universo subjetivo e afetivo dos protagonistas os melhores contos do volume: as narrativas praianas de Díptico, a trajetória de uma amizade de infância até a adolescência em Crocodilo e lagartixa ou o exercício de ficção científica TSC. Ou mesmo o já citado Você lembra quando o prado floria?, do qual é possível destacar um trecho como este:

Você lembra quando o prado floria? E quando saíamos da faculdade no último dia de proas, com as mochilas nas costas? Nossos jeans superbatidos, violão de guerra funcionando a mil, pedíamos carona para vir tocar no verão da Itaiaçu. E a primeira coisa, depois que a gente se instalava no Bar da Renata: correr à trilha escondida. Na curva do mar entre as rochas, lembra? Cruzávamos a floresta, logo se via, ao fundo, estancando o sol da tarde, a montanha. Mas antes dela, sob nossos pés, o prado colorido, lembra do tapete em flor?

Temos então, como já antecipamos, dois livros muito distintos, opostos, quase complementares em seus méritos e defeitos. Um deles repleto de ousadias na construção formal, mas que por vezes peca por reduzir a tensão narrativa a um sintoma da forma. O outro, propondo-se abertamente a contar histórias com a intenção de surpreender, mas com problemas advindos da construção da própria narrativa – conto muito longo ou muito abrupto, dicção por vezes empolada.

Um confronto aberto e equilibrado entre dois estilos. Este juiz se confessa mais inclinado, ao olhar de fora, para o estilo de jogo de Mar quente, mas admite que Dill é mais cuidadoso na forma. O árbitro resolveu, portanto, decidir o jogo no erro do adversário, ou seja, comparando os contos nos quais um parece ter, inadvertidamente, incursionado no território do outro.

Embora a violência não esteja ausente em Mar quente, sua aparição mais descarada se dá em Nego Tuco e em Suturas de amor. Nego Tuco é um conto policial no qual Enio Roberto se sai muito bem em criar para o protagonista uma linguagem própria, não apenas decalcada do clichê da fala de um criminoso. É um conto que incorpora o humor de modo certeiro. Suturas de amor é uma história em ritmo de bolero neurótico pós-moderno que resulta mais histérica do que propriamente surpreendente.

Luís Dill apresenta, em Porta-malas e Documentário, histórias em que um detalhe final reordena a narrativa e lhe dá novo sentido, a exemplo de vários contos de Mar quente. Em Porta-malas o final também é passível de ser desvendado com antecedência, mas não muito cedo – o conto é curto na medida para sustentar a tensão. Em Documentário, o detalhe final, embora inverossímil se bem pensadas as coisas, funciona muito bem como elemento que reorganiza a compreensão do texto.

Logo, este juiz concede, por uma vantagem obtida com um gol em contra-ataque em descuido do adversário, a vitória a Atalhos, de Luis Dill, pelo placar de 2 a 1.

PLACAR
Atalhos
2 x 1 Mar quente

VENCEDOR
Atalhos, de Luis Dill

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25 respostas para JOGO 1 – Atalhos x Mar quente

  1. Ana Mello disse:

    Partida emocionante, atuação brilhante do juiz que não teve a mãe ofendida em nenhum momento da disputa e o melhor de tudo, fiquei curiosa e vou ler Mar Quente que ainda não li. Grande jogo e GOOOOLLLLL da literatura.
    Saudações, Ana Mello.

  2. Equipe CGL disse:

    Pois é, Ana! Tivemos uma partida (realmente) de confraternização! Um ótimo início de Gauchão! Bom campeonato para todos, leitores e concorrentes!
    🙂

  3. Rafael Gloria disse:

    Parabéns pela iniciativa e pela vitória do Dill!

  4. Jogo tranquilo e interessante, com poucos cartões amarelos e alto conhecimento literário por parte do juiz. As equipes tiveram sorte de não pegar o Carlos Simon.

  5. Que jogaço! A resenha do Carlos André está bem dentro do espírito do certame. O leitor percebe claramente como foi difícil a decisão do árbitro a partir da comparação de duas obras tão distintas e do mesmo gênero. Gostei, é claro, da analogia com uma partida de futebol. Mas o que mais me surpreendeu foi o nível de discussão que a disputa propiciou. Carlos André disseca os dois livros com uma profundidade pouco usual. Nesse aspecto, as duas obras foram vencedoras. Parabéns aos dois times!

  6. taizze disse:

    Acho difícil algum juíz ser xingado nesse campeonato hehehe
    Ótima resenha (como sempre), e boa sorte para todos os competidores!

  7. Equipe CGL disse:

    Rafael: obrigado! Participe sempre! Queremos que a torcida esteja sempre presente! 🙂

    Milton: o Simon agradeceu o convite, mas ficará acompanhando da arquibancada desta vez – hehehe.

    Luiz Paulo: este é o nosso objetivo. Permitir o comentário dos juízes sem limite de caracteres e sem vergonha, mas com muita propriedade literária. Acho que vem coisa boa por aí!

    Taizze: não sei, não… hehehehe. Às vezes, a coisa fica feia. Não vou entregar as táticas antes do jogo, mas fica de olho nas próximas partidas. 🙂

  8. Concordo com taizze… ótima resenha. As metáforas futebolísticas ajudam a dar cara nova a este trabalho de apresentação, ou confrontação, de duas obras.

  9. Marcel Citro disse:

    Parabéns aos competidores, ao árbitro e a organizaçao do espetáculo… é isso aí, considerando o adevento de tantas mídias neste século XXI, temos que ter criatividade para promover o livro e a sua leitura, seja em sua versão tradicional, seja o e-book que está chegando à velocidade da luz.
    Grande abraço,
    Marcel Citro

  10. Mi Müller disse:

    As metáforas deram uma nova cara à esta resenha e o texto em tom de narração e confronto ficou tri. Adorei!

    estrelinhas coloridas…

  11. JLM disse:

    só uma pergunta, q na verdade são duas: julgar usando o critério do “erro do adversário” q adentrou na esfera do outro, ñ diminui a análise dos pontos fortes do livro individualmente? afinal, quem prefere ler um livro q “pecou” menos por invadir a área de outro livro a ler um livro q tenha acertado mais em sua própria área?

    (esta é uma provocação para ver se os comentários nas arquibancadas renderão 1 pouco +)

  12. Salvatierra disse:

    Pois, JLM, os critérios, a fim e ao cabo, são 100% subjetivos em todas as críticas desse mundinho. Num jogo de futebol tem confronto e tem que ter um vencedor. A falha de um é o acerto do outro!

  13. Enio Roberto disse:

    Eu esperava a derrota. Faz pouco meses, noutro concurso, o Carlos André Moreira havia dado negativa ao Mar quente. Cheguei a pensar que ele fosse declarar-se impedido para o jogo. Mas, tudo bem, fiquei feliz ao ler a gama de elogios, certamente exagerados, que ele fez ao meu livro de estreia.

  14. Gordo Du disse:

    Aí vai uma sugestão aos árbitros que estiverem embananados para decidir o resultado do jogo: escolham o melhor conto dentre os dois livros. A vitória da partida, lógico, irá para o respectivo autor. Concordo com o Carlos André, “Curriculum” é o melhor conto do Dill, mas, embora “Você lembra quando o prado floria? seja uma bela história de amor e arte, escrita pelo Enio (como bem falou o juiz) não chega aos pés de ” O sinal da Luz” e do magistral “Montanha 561”. Vitória do Mar quente, fácil!

  15. JLM: Usei o critério do “erro do adversário” por considerar, justamente, que ambos os livros tinham propostas tão diversas que seus acertos eram incomparáveis. Os dois se propunham a coisas muito diferentes para que eu diminuísse as realizações de um ou outro na comparação, que sairia viciosa justamente por ter de compensar essa diferença. Usei o critério que me pareceu mais justo para ao mesmo tempo comparar ad dus obras mas respeitar as especificidades de ambas. Que achas?

    DU: De fato, é um outro critério, tão válido quanto o meu – o que só aumenta a validade da fórmula de torneio adotada pela comissão julgadora: os livros não passaram por uma única avaliação de um único jurado, mas cada um será lido e comentado no mínimo duas vezes.

    ENIO: Se esperavas a derrota ou não, é uma questão tua, não posso – e, confesso, nem quero – fazer nada a respeito. Só, para que não paire nenhuma insinuação como a que fizeste, devo te informar que só cheguei ao resultado do jogo depois de nova leitura atenta dos dois livros e de muita reflexão. Já quanto ao “outro concurso”, estás te referindo ao Prêmio Sofia, organizado pelo professor Charles Kiefer apenas com livros de autores que foram seus alunos, cujo resultado foi definido em abril deste ano.
    De fato, fui um dos jurados, a convite do próprio Kiefer – e admito sem hesitar que era o jurado menos qualificado, dado que os outros eram os professores Luis Antonio Assis Brasil e Regina Zilbermann. Naquele concurso, nenhum dos jurados deu “negativa” a concorrente algum, pelo contrário. Cada jurado escolheu, dentre nove competidores, três melhores dentre os competidores, por ordem. A cada posição, primeiro, segundo ou terceiro, o livro recebia uma pontuação, maior para o primeiro, menor para o segundo, menor ainda para o terceiro. Ganhou quem somou o maior número de pontos. Logo, eu não dei “negativa” ao teu livro, foi a média ponderada. Se quiseres, podes escrever ao professor Charles solicitando a minha lista de votação. Se ele, que organiza o concurso, achar válido te revelar, pode informar a ele que eu não tenho nada contra.
    Ah, sim, um último detalhe pelo qual eu considerei que não havia necessidade de me declarar “impedido”: Atalhos, de Luís Dill, não concorria nesse primeiro concurso, logo, eu não estava julgando matéria já julgada. Abraço.

  16. JLM disse:

    ok, carlos, concordo q vc usou um método de avaliação dentre os inúmeros existentes. mas a questão é: seria ele o melhor conselho diante d uma gama d leitores dispostos a optar por 1 ou outro livro na hora de comprar na livraria? se a sua opinião pessoal como leitor tendeu + para 1, mas esse mesmo livro acabou perdendo por outro critério, acho justo q os leitores leiam nas entrelinhas e considerem q o vencedor da partida seja justamente oq perdeu.

  17. JLM: Oi, J. Entendo teu ponto de vista, mas para responder a ele vou ter de deixar mais claros dois pontos em particular: O primeiro é que eu me propus a oferecer uma leitura comparada doos dois romances, mas não cheguei a levar em conta a visão de um hipotético leitor que precisasse optar por um deles numa livraria – se me fosse feita essa pergunta, eu recomendaria que os dois mereceriam leitura.
    O segundo é que eu, na qualidade de leitor, aprecio mais o tipo de coisa que o Enio Roberto se dedicou a fazer em seu livro, mas não afirmei com isso que ele atinge plenamente seus objetivos ou que seja melhor do que o outro. Até porque não era minha intenção que ninguém lesse em entrelinha alguma, pretendi oferecer uma leitura séria, mas também não estava tolhido por cincunstância alguma que me obrigasse a fazer uso de subentendidos. Achei que os dois livros disputaram uma partida equilibrada quanto a suas realizações, daí escolhi o critério que me pareceu o mais adequado. O critério, como o comentarista chegado a diminutivos ali em cima bem lembrou, é sim, 100% subjetivo, mas em momento algum se disse tratar-se de outra coisa. Espero ter me expressado de modo mais claro agora.
    Abraço.

  18. Enio Roberto disse:

    Prezado Carlos André,
    no concurso Sofia, os pontos do Assis Brasil me levaram ao segundo lugar, os da professora Regina Zilbermann, ao terceiro; a pontuação que conferiste ao Mar quente foi mais baixa, não sei como ficou. Em hipótese alguma, aquele resultado e a derrota na Copa me fizeram pensar que eras o menos qualificado a integrar o primeiro júri. Muito menos abalaram a certeza de que és um dos melhores críticos literários país.

  19. Oi, Enio
    Conforme te disse antes: por mim, podes escrever ao professor Kiefer com minha anuência para que ele te informe a pontuação final deste jurado em particular – não o faço por respeito ao organizador do concurso, a quem cabe esse tipo de decisão, a meu ver. Podes confirmar com ele que eu não tenho problemas na divulgação de meus resultados. A certeza de ser o menos qualificado é minha mesmo, em comparação com a qualificação dos outros dois.
    E como te disse: se tivesse que me declarar impedido só por ter lido aqueles livros para aquele concurso, haveria nove interdições, e talvez eu devesse interditar-me também dos que já resenhei para o jornal – e aí já seriam outros tantos. Como a Copa muda o contexto, acho que a leitura comparada entre Mar Quente e um outro livro que não participou daquele primeiro concurso continua válida.

  20. Enio Roberto disse:

    Carlos:
    aceitei dar forma de livro ao Mar quente só para ter, digamos assim, respaldo na fundação de uma modesta oficina literária, a escolinha com vistas à recuperação de alcoolistas e toxicômanos carentes daqui do litoral onde resido. As indicações positivas que o livro vem recebendo dentro e fora do Rio Grande, coroadas pelo fato de ficares, ao final do julgamento, indeciso entre meus contos de estreia e o volume do nosso premiadíssimo Luís Dill, creia, me encheu de coragem para a empreitada. Por isso, acho desnecessário incomodar o Kiefer, que já fez muito ao criar o Prêmio Sofia. Um grande abraço.

    Galerinha da CGL: parabéns pela brilhante iniciativa, pelo trabalho difícil dedicado a todos escritores, obrigado por tudo. Abraços.

  21. Maria Quitéria Borges Fortes disse:

    Carlos André, que jogo difícil, menino! Ontem me encantei lendo o Mar Quente. De outro lado o Dill inovador, maravillhoso como sempre. Quem precisou driblar foi você, hein?
    Felicidades! Maria

  22. Caros,

    a pior coisa que um escritor pode fazer é reclamar de críticas da imprensa, de resultados de concurso. Eu tinha admiração por Dunga, pela sua determinação, mas ando decepcionado com ele. Mesmo quando ele ganha, reclama. O Enio parece trilhar o mesmo caminho. Mesmo tendo recebido uma excelente pontuação no “Prêmio Sofia”, se põe a reclamar. Importunar os juízes de um concurso é muito chato, Enio Roberto. Escritor tem que escrever, e bem. Enio, o Fernando Pessoa tirou um segundo lugar no maior concurso de Portugal e não reclamou! O Guimarães Rosa tirou o segundo lugar num concurso brasileiro e não reclamou! E sabe quem estava na Comissão Julgadora? Jorge Amado, Raquel de Queiroz e Graciliano Ramos! Segue os exemplos de Pessoa e Rosa, Enio, e não o mau exemplo do Dunga!!

    Abraço,|

    CK

  23. Caros,

    no endereço abaixo, encontra-se a descrição da pontuação do Prêmio Sofia:

    http://oficinaliterariacharleskiefer.blogspot.com/2010/06/descricao-do-resultado-do-premio-sofia.html

    Abraço,

    Charles Kiefer

  24. Acabamos de assistir ao primeiro gol contra do campeonato. Contra fatos não há argumentos. O mínimo que se espera do Enio Roberto é um pedido público de desculpas ao Carlos André Moreira. Se isso acontecer, dará uma demonstração de fairplay. De resto, concordo em todas as vírgulas com o comentário do Charles Kiefer. Para um primeiro livro, Enio Roberto saiu-se muito bem. Que ele aprenda com as críticas e produza um segundo melhor. Bater em resenhista e em resultado de concurso é diversão que está fora de moda e rouba tempo para o que de fato interessa em literatura.

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