JOGO 4 – As grades do céu x O silêncio dos amantes

JOGO 4
(1º jogo do Grupo 4)

As grades do céu,
de Susana Vernieri (Libretos / 2009)
x
O silêncio dos amantes,
de Lya Luft (Record / 2008)

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JUIZ
Reginaldo Pujol Filho
– Nasceu em 1980 em Porto Alegre. É escritor, publicitário, gremista e zagueiro. Publicou Azar do personagem (Não Editora, 2007) e organizou a antologia Desacordo ortográfico (Não Editora, 2009 / Livro do Dia, 2010). Tem contos em jornais, revistas e sites do Brasil, Portugal e Espanha, um conto no Youtube e joga bola às segundas. Escreve no blogue Por causa dos elefantes.

O JOGO

Embora Gauchão de Literatura, me sentia, antes da partida, árbitro daqueles jogos típicos de Mundial de Clubes. De um lado, um Liverpool da vida: ninguém entende seu sucesso, joga algo parecido com futebol, sem arte, mas tem tradição, história, torcida, uniforme sóbrio, pede respeito. Sim, senhores: Lya Luft e O silêncio dos amantes.

Do outro lado, surgia a surpresa: um desconhecido (pra mim, ao menos), ganhou um torneio quando ninguém esperava, espécie de Once Caldas, com uniforme colorido, até esquisitão, chamativo, gerando curiosidade sobre seu jogo. Susana Vernieri, com As grades do céu, vencedor do Açorianos de Literatura – Categoria Contos / 2009.

Pois bem, mal começou o jogo, caí na realidade: seria Gauchão mesmo. Era o que me dizia A pedra da bruxa (primeiro conto de Lya Luft) com seus longos parágrafos explicativos e seu arsenal de adjetivos e advérbios mal posicionados, mais atrapalhando do que auxiliando as jogadas da frase, como dá pra perceber no trecho a seguir:

Quando meu filho tão querido sumiu, quando se transformou, se matou, se jogou ou caiu da Pedra da Bruxa, se perdeu no mato – ou saiu voando e nunca mais voltou -, entendi que nossa cumplicidade só existia na minha imaginação. (…) A boa vida familiar era falsa. Andávamos sobre uma camada fina de normalidade. Por baixo corriam rios de sombra que eu não queria ver. Ele, meu filho tão extraordinariamente amado, era irremediavelmente sozinho – eu, que me considerava a melhor das mães, de nada adiantei. (pg. 13)

Já Susana Vernieri começa com o conto Das grades, e com uma promissora primeira frase “Há grades que me separam do céu” (pg. 7). Mas logo cai em um monólogo artificial sobre a loucura: o narrador está no manicômio e é capaz de explicar detalhadamente como é imobilizado pelos enfermeiros:
Deitam-me na cama e várias faixas de lençóis passam por cima de mim. A primeira me amordaça. As outras pouco a pouco me imobilizam. Pés, braços, punhos, mãos. O serviço dos homens de branco é completado por uma injeção tranquilizante. (pg. 7/8)

E assim segue em um discurso bastante organizado, lúcido e claro, que em nada lembra a loucura que o texto pretende transmitir ao colocar uma narradora dentro de um manicômio contando sobre uma noite lá dentro.

Vistos os primeiros e não surpreendentes lances de parte a parte, preocupei-me em observar os esquemas táticos de Lya e de Susana. Quem sabe ali uma novidade.

Bueno, a organização tática de Lya Luft pode ser antevista no título: O silêncio dos amantes se dispõe em torno do tema da incomunicabilidade, do silêncio entre casais e em outros relacionamentos. E, caso o leitor não intuísse isso pelo nome da obra, tudo bem, a autora faz questão de explicar a temática na apresentação, dando a tônica do seu estilo de jogo feito de tantas e tantas explicações.

Já Susana organizou seu time de contos em torno do tema da loucura e seus derivados, como o desajuste em relação ao mundo ou à sociedade. Mas se fossemos definir a unidade temática de As grades do céu em uma palavra seria: loucura.

E como se saíram as duas na hora de botar seus esquemas pra funcionar?

Em O silêncio dos amantes, Lya Luft de fato traz contos que falam da “incomunicabilidade e do silêncio – não apenas entre o casal amoroso, mas entre quaisquer pessoas ligadas por laços afetivos ou familiares”, como nos avisa na apresentação. Mas a escolha do tema não é sinônimo de boa literatura, se não era muito fácil. E é na hora e no como transformar seu grande tema em contos que começa a embolar o meio-campo de O silêncio dos amantes. Sim, embolar o meio-campo. O livro se assemelha a times burocráticos, de pouca inspiração, com jogadas repetitivas. Explico: os personagens, via de regra, são estereotipados. O marido (ou ex-marido, quando a narradora descobre nova e empolgante relação) é invariavelmente distante, egoísta, incapaz de observar a própria esposa que sofre calada o desgaste da relação. Adolescentes sempre autistas, rebeldes, desinteressados das famílias. Narradores, vira e mexe, mencionam a “velha avó”, “velha terapeuta”, “velha amiga” e por aí adiante. Isso em contos que abusam da descrição estéril e da sumarização da história em detrimento da narração. É como a seleção de 94 com 11 Zinhos e nenhum Romário capaz de tentar a jogada aguda.

A autora parece ter algumas jogadas ensaiadas para tentar ganhar o jogo. Refiro-me a recursos recorrentes, além da temática. Uma das jogadas é o uso da voz de criança como narrador. Porém, não raro, esse recurso falha em O silêncio dos amantes. Falha porque a voz da criança sempre tem que ceder aos impulsos explicativo-filosóficos de Lya Luft. Há, por exemplo, uma criança que diz na página 141 que não podia fazer nada, por ser só uma menina. E, na página seguinte, a mesma personagem, narrando no mesmo tempo presente, reflete “Não sei se minha avó de verdade não entende mais nada, ou apenas finge e se diverte com o engano das pessoas. Inesperadamente (…) ela me lança um olhar esperto. Naquele instante está tão lúcida quanto eu. Seremos, as duas, cúmplices de algo que ainda preciso descobrir?”. A mesma personagem ainda diz que uma árvore de Natal é “incongruente e feia”. Tudo bem que crianças são cada vez mais avançadas, mas acredito que essa e outras tantas reflexões dos narradores-mirins de Lya Luft fraturam e muito o caráter dos personagens.

A outra jogada ensaiada que encontrei no livro é a inserção do fantástico, especialmente de surpresa no final dos contos. Como um zagueiro que de repente crê poder mudar o jogo com um chute do meio de campo, Lya Luft de repente joga esse recurso em seus textos. E esse lance, muitas vezes, vem embolado com os finais poético-explicativo-misteriosos. Difícil entender o que é? Concordo. Mas é uma coisa mais ou menos assim: Foi minha última visita a minha avó. E nunca esqueci. Mas o que realmente me inquietou foi um ou dois olhares dela, diretos pra mim, com um ar de malícia, como a me dizer que os doidos eram eles. Que ela estava só fingindo. E aquele seria seu último presente de Natal para mim.

Só lendo tudo para ver como isso faz vezes de moral da história sem explicar nada.

Mas mesmo no time mais sonolento pode surgir um guri das categorias de base que sai do banco pra mudar o jogo, um personagem diferente, que cai nas graças da torcida e dos leitores. Em O silêncio dos amantes houve quem levantasse a minha torcida. Confesso que me empolguei quando li a frase: – Você não foi parido, você foi cagado.

Opa, sabendo que o conto se chamava O anão e confirmando que quem não tinha sido parido era um anão mesmo, cheguei a sentir cheiro de Rubem Fonseca. E tinha mais: tratava-se de um anão criança. Interessante o conflito proposto: perceber-se anão na infância. O problema é que mais uma vez o conto seria narrado na voz de uma criança. O anão de uns 10 anos, que, criança típica, reclama pros pais de ser caçoado pelos colegas. Mas, ao mesmo tempo, observa que o pai “nem se perturbou de ter dado um tapa na filha” ou sobre si “sei que não vou viver muitos anos. Meu corpo reduzido dói, meus ossos, comprimem tudo dentro de mim…”. Mais uma vez a voz da autora clivou a do narrador e o baixinho habilidoso se perdeu nas orientações da treinadora. O que considerei uma pena: era um personagem com potência, em quem e ao redor de quem poderia ser criado um universo rico e complexo.

Por essa e outras (as outras: frases mal construídas e uma série de imprecisões dentro dos contos), bem, por essas e outras, assim como há jogadas que resumem a atuação de um time, digo que No fundo das águas é o conto-síntese de O silêncio dos amantes. Lá está outra recorrência da obra: o excelente nadador, a menina que aprendeu a nadar com o pai. E também sumários piegas como “Havia uma aura de amor e alegria entre eles, em nossa casa junto ao rio. A gente dormia com a voz das águas murmurando feito risadinha de criança entre as pedras” (pg. 69). Da mesma forma, Lya carrega nas explicações. Em vez de narrar situações em que o pai da narradora está quieto, ou em que o vejamos atormentado, prefere contar “continuava quieto e distante, mas minha mãe conseguia manter a aparência de normalidade” (pg. 71) ou dizer “foi enveredando por um labirinto de sua mente atormentada (…) foi-se longe, mais longe e enlouqueceu” (pg. 72). Nenhuma ação narrada. Há também imprecisões como as que marcam outros contos. Primeiro é informado que o pai misteriosamente deixou de nadar e assim ficou por toda a passagem da infância da narradora até a adolescência. Pois o personagem, após anos e anos sem botar o pé na água, “encurvado”, resolve nadar. E aí as pessoas lamentam que “tão bom nadador” morreu afogado, como a deixar em dúvida se houve um suicídio. Mas, gente, foi dito que ele ficou uns 10 anos sem nadar e enlouqueceu em “um labirinto de sua mente atormentada”. Ele não era mais um bom nadador. Surpreender-se com esse afogamento, achar que é pista pra um suicídio, é como se assustar se um zagueiro da Copa de 58, tão bom marcador, levar um drible hoje do Neymar. Por fim, No fundo das águas é arrematado com o já citado final explicativo-poético-com-um-tom-de-mistério-e-um-pé-no-fantástico:
…mas eu não chego perto de água que não seja domada, dentro da minha casa. Pois aquilo que assombrou minha infância, que me roubou meu pai, deixou minha mãe para sempre triste e desconcertou meu mundo, aquilo, eu sei, continua lá.

É, amigos. Mas e a Susana Vernieri, ficou parada vendo a Lya Luft jogar?

Susana escolheu como tema algo que julgo um grande desafio literário: falar de loucura. É delicado transmitir esse estado na literatura. Pode-se cair em uma maçante descrição do que se acha que é a loucura, ou, no outro extremo, acabar tentando reproduzir em linguagem uma mente enlouquecida, o que se torna ilegível como é a insanidade para quem está são. Tentando aplicar este esquema desafiador, As grades do céu confirmou para mim a impressão de time jovem, inexperiente. Quando me refiro a time jovem, quero comparar com equipes que confundem rapidez com afobação, controlar resultado com abdicar do ataque, oito ou oitenta, sem equilíbrio. O livro, como já citado, começa com um típico exemplo de “loucura organizada”, o conto Das grades. Na seqüência, como um time que ganha confiança, resolve partir para o ataque com rapidez, mas aí cai no erro – e talvez o maior dos erros do livro – de confundir a velocidade com afobação. Muitos dos contos de As grades do céu fazem lembrar a ligação direta defesa-ataque do futebol, abrindo mão do meio-campo. É balão pra frente. Há começos interessantes, curiosos, como “Tenho um unicórnio que mora comigo. Não, isso não é verdade” (pg. 15) ou “Eu invejo a caixa do armazém da esquina” (pg. 75). Mas como se autora tivesse limite de caracteres, como um time nervoso por golear para se classificar, os contos, na sua maioria, têm viradas súbitas demais, não construídas ou mal construídas dentro da estrutura do texto, ignorando verossimilhança interna e fazendo com que tudo pareça de supetão: o personagem que vê uma relação superficial de 10 anos se acabar sem explicação e sai a nadar rumo ao infinito; a outra que se desfaz de livros para não afugentar homens e morre num incêndio; a personagem obsessiva que vaga por Porto Alegre e sai a nadar pelo Guaíba. Podem parecer motes interessantes, como pareceria se eu contasse alguns outros plots do livro. Mas a questão é que a autora não avança muito mais além disso. Claro que em um livro qualquer coisa pode acontecer. Mas desde que o autor faça com que seja possível dentro da lógica interna do conto ou romance. E Susana Vernieri não o faz. Isso somado com a pressa ou excessiva economia com que as histórias são contadas impede que os contos possuam tensão, ou que se consolide o caráter dos personagens ou uma mínima empatia. Exemplo disso é o conto A mulher do próximo, em que o narrador afirma que “Abel, sabendo da importância de Ana, ambicionava-a em silêncio. Tentava ao máximo não demonstrar nenhum desejo pela mulher do próximo”. O problema é que esse tentar ao máximo foi tão ao máximo, que não há, no conto, cena em que se perceba a ambigüidade de Abel em relação a Ana e Carlos (amigo dele e marido dela). Rapidinho, sem muito mais acontecer, já estamos no final em que Carlos dá uma lição no amigo, sem que possamos imaginar como e de onde ele depreendeu que Abel cobiçava sua mulher.

Apesar de haver dois contos em que o personagem decide nadar sem rumo, não encontrei jogadas ensaiadas, recursos repetidos no livro de Susana Vernieri. Ainda na comparação com uma equipe jovem, é indispensável dizer que, sim, há talentos emergentes, ou personagens interessantes no livro. Está lá a mulher que não consegue parar de falar (literalmente) ou a moça que se desfaz dos livros para não assustar os homens. Só que todos os personagens passam, como diria Fernando Vanucci, num vapt, vupt. São quase que idéias de personagens, não chegam a ganhar corpo, personalidade.

E se já comparei As grades do céu com uma equipe jovem, também me sinto à vontade para compará-lo com times africanos ou com a seleção da Colômbia de 90, do Higuita e do Valderrama. As grades do céu, no que compete à linguagem, arrisca em alguns lances, porém com a ingenuidade do goleiro Higuita querendo jogar fora da área só por bonito, pondo o jogo a perder. Não me refiro a floreios no texto de Susana Vernieri, mas a arroubos de prosa poética que não se materializam nem como prosa, tampouco poesia, como em De portos. Em geral é driblar para trás sem objetividade alguma. Muitas vezes, os contos – que nem sempre tenho certeza se são de fato contos – são jogados pro nonsense. Mas não o nonsense, por exemplo, dos contos de Woody Allen ou do Púcaro búlgaro de Campos de Carvalho. O nonsense de Susana é mais hermetismo. Faço questão de reproduzir na íntegra o texto intitulado Mensagem:
Ela parecia uma artista de cinema que era embaixadora da paz mundial. Dizia que a gente só deveria fumar três cigarros por dia. (Como dizia a artista que era embaixadora da paz mundial). Sabia português mais do que a cartilha e se estivesse lendo meus garranchos agora provavelmente reclamaria do uso abusivo do pronome e da conjunção que.
Eu gostava dela, mas ela não gostava de mim. Acho que (vou insistir no “que”.) ela sempre achou que eu era uma fraude. Aproveito este momento para contar um segredo que me sopraram lá pelos vinte anos: todo mundo deve achar que é um pouco, pouco fraude.
Aconteceu de ela e eu nos cruzarmos no início de tudo. A cor era verde. Minha cor hoje é branca, a dela parece ser azul-marinho. A sinaleira tem três cores. Ela não dirige apesar de ter aprendido a guiar. Não quer jogar. Diz não saber.
Tinha um escritor que ela e eu gostávamos que escreveu: viver é muito perigoso.
Aleluia, João.
Boa sorte, para ela.

Então: se houve um lance que resumiu a Lya Luft, creio que esse seja o resumo da Susana Vernieri. É como o atacante pegar a bola e correr em direção à própria defesa para marcar um gol-contra, tão disparatado é esse texto. Parece uma mensagem, como diz o título. Mas cifrada e definitivamente não endereçada aos leitores. O que acontece em grande parte dos textos aqui chega ao seu ponto máximo: não há a menor preocupação com construção de enredo, personagem, ou conflito.

E aí? Um time lento e repetitivo de um lado. Um time afobado, irresponsável como o Garrincha na zaga, do outro. Qual o resultado desse jogo?

Susana Vernieri mostrou empolgação, começou boas jogadas, mas esqueceu do meio-campo, não deu consistência às histórias, organização ao time. Nos lances mais ousados não jogou para a equipe, nem para a torcida, só pro próprio ego, como o cara que bate tiro de meta de trivela. Isso gera uma série de erros (no futebol e na literatura) que num confronto com um adversário simplesmente correto certamente configuraria uma derrota, se bobear até por goleada.

Só que, se a Susana não tinha meio-campo, Lya Luft se perdeu no meio-campo, cheio de burocratas. A lentidão e a morosidade provocada por seus excessos de descrições, sumários, adjetivos e advérbios, aliada a um texto muitas vezes aparentando o descuidado, fez um jogo de muitos passes laterais e de jogadores desinteressados.

Muitas vezes, dois times desorganizados acabam gerando uma enxurrada de gols, mais por atrapalhação do que por talento. Porém, na peleja em questão, o que assistimos são duas equipes e dois livros que por motivos muito diferentes – cada um num extremo – acabam por não produzir intensidade, não gerar conflito, tampouco partir para a ação. Assim é impossível furar defesas, marcar gols ou levantar a torcida e ganhar no grito.

O que resulta disso é um chocho empate em 0 x 0.

PLACAR
As grades do céu 0 x 0 O silêncio dos amantes

EMPATE
As grades do céu
, de Susana Vernieri e O silêncio dos amantes, de Lya Luft


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22 respostas para JOGO 4 – As grades do céu x O silêncio dos amantes

  1. Carmen Silveira disse:

    Excelente resenha e, também, corajosa.
    Acredito que a Lya Luft – como a Seleção da Alemanha – entrou em campo e jamais pensou que sairia com um resultado desses, especialmente jogando contra uma seleção sem história de grandes lances, sem títulos de campeã.
    Mas conhecendo os textos da Lya, tenho que concordar e dizer que a chave do seu sucesso atual está mais vinculado ao seu nome/história, do que a uma literatura criativa.
    Desconheço a outra autora, mas acredito na resenha. Resultado justo.

  2. Daniel L. disse:

    Pensei que acompanhando esse campeonato eu ia descobrir um livro legal pra ler, até agora só descobri livros para colocar numa lista de negra de não ler nunca. A resenha pareceu sincera e bem fundamentada. Os trechos comprovam perfeitamente o que o juiz quis dizer.

    • Carmen Silveira disse:

      Daniel,
      Ainda tem muito jogo pela frente. Segue acompanhando que vais achar coisa boa para ler. Podes ler os livros que os juízes escreveram. Com certeza, vais encontrar algo bem legal.

  3. JLM disse:

    concordo com o daniel: o duro vai ser alguém querer ler um livro q por deméritos próprios ou pelas boas resenhas dos árbritos ñ convence. mas a esperança taí, ainda quero ver se passa pelo menos um candidato pela peneira. futebol(ou literatura)-arte parece coisa do passado. agora o esquema é o chato e pragmático jogo de resultados.

  4. Debatedor disse:

    Uma reflexão dirigida aos juízes que já apitaram até agora e ecoando o comentário do Daniel: não estarão vocês um tantinho ranhetas ou dispostos a demolir os livros? É estranho, porque lendo as resenhas parece que nada presta – dos mais desconhecidos aos de mais renome. Será que a ficção que aqui se produz não tem, então, validade? É a impressão que fica para quem acompanha de fora. Não estou escrevendo isso como um ataque a este resenhista em particular – achei a resenha bem fundamentada e bem escrita, só me pergunto se o espírito com que os juízes estão entrando em campo já não está um pouco armado contra os competidores.
    Abraço e parabéns pela iniciativa.

  5. Fernando disse:

    Acompanhei até agora todas os jogos. Foram análises muito boas, mas a última supera as demais no seguinte aspecto: aponta deficiências e se comporta como um excelente juiz de futebol que domina as regras e age de maneira imparcial. Parabéns, excelente resenha. Quanto a qualidade dos livros do Gauchão, depende do que se espera, pois há diferença entre um leitor comum e um crítico literário (na verdade, muita diferença…). Último detalhe: pelo que tenho visto, camiseta e nome não ganham jogo. Parabéns aos críticos e à Literatura gaúcha.

  6. JLM disse:

    ou então, debatedor, a copa demonstra a realidade nua & crua atual: os livros mais badalados são ruins mesmo ou os árbitros são muito exigentes. ñ q uma condição exclua a outra.

  7. Bruno Mattos disse:

    Olá, Debatedor.
    Falarei pelo meu caso apenas. Acredito que, com a questão de existirem os “impedimentos” (antes de recebermos os livros, marcamos aqueles que não gostaríamos de apitar – marquei amigos, conhecidos e livros que eu já leria com preconceito em relação ao autor), acho que não ocorre essa “disposição a demolir os livros”.
    Para além disso: quanto à validade da literatura que se faz no Rio Grande do Sul, não acredito que isso esteja em discussão. Evidentemente, a literatura feita aqui é pertinente, para além de sua qualidade e dos critérios envolvidos em seu julgamento. Mas, como em qualquer época e região do mundo, há leitores que gostarão dos livros, e há leitores que não gostarão. O Gauchão apenas mostra a opinião individual de diversos leitores em relação aos livros que leram – não é questão de determinar o que é válido e o que não é.
    No mais, já li outros livros que participam do Gauchão além dos que resenhei, e gosto muito de alguns. Acho que o fato de muitos dos juízes não gostarem dos livros que estão julgando se dá por um motivo: o Gauchão faz um recorte temporal e regional muito específico. Se pegássemos, digamos, os livros (incluídos romances e poesia) lançados no Brasil nos últimos dez anos, e selecionássemos 16 pra participar do campeonato, é claro que as críticas seriam muito favoráveis, pois já haveria uma filtragem. Em nosso caso, estamos julgando (acredito) praticamente tudo o que foi lançado em se tratando de contos aqui nos últimos dois anos, e é natural que, ao levarmos tudo em conta, vai ter bastante coisa ruim.
    Mas acho que já falei demais. Gostei muito do questionamento, achei pertinente. Tomara que mais juízes respondam. Ah, e pra ficar bem claro: não estou falando de nenhum dos autores que resenhei aqui, mas comentando o todo de maneira geral.
    Um abraço!

  8. Lu Thomé disse:

    Garantiríamos uma escalação mais “qualificada” (se bem que até isso eu acho extremamente relativo) se tivesse sido feita uma seleção prévia de livros. Mas isso iria contra os nossos objetivos com o Gauchão. Acho que os juízes têm a tendência de ressaltar o pior, quando ele existe e é notado. Mas não percam as esperanças no Gauchão. Vem coisa boa por aí!

  9. Rodrigo Rosp disse:

    Pois é. Acho que o Gauchão está indo na linha da Copa do Mundo: um começo meio claudicante, poucos lances de destaque. Isso gerou um pessimismo exagerado. A Copa já passou desse momento, os gols estão aparecendo, ótimas partidas, emoção, etc.
    Acredito que teremos isso por aqui também nos jogos que estão por vir. E acho que, a partir da segunda fase, aí sim, a coisa vai pegar fogo.
    E só mais uma coisa: é uma delícia, mesmo que o resultado tenha sido 0x0, ler um texto tão divertido (e bem fundamentado) como esse do Reginaldo. Acho que foi uma arbitragem para fazer a torcida levantar – coisa que só é possível por aqui!

  10. Rafael Bán Jacobsen disse:

    Dessa vez, não teve nem “menos pior”.

    De qualquer modo, penso que há sim ótimos competidores que em breve entrarao em campo.

    Parabéns ao Reginaldo pelo exemplo de resenha e pelo show de conhecimentos futebolísticos e literários.

    P.S.: mas sim: de modo geral, penso que a produção de contos aqui no estado deixa muito a desejar em comparação com as narrativas longas, em especial na atualidade

  11. Brilhante, apesar de épica, arbitragem! Um 0 x 0 de grandes emoções. O jogo pode ter sido chocho, mas a vida interior do juiz é esplêndida.

  12. taizze disse:

    Reginaldo só escreve coisa boa, até criticando =B

    Sobre a qualidade dos livros que estão participando, acho que tem bastante coisa boa (alguns que li, que acho ótimos), mas o negócio é que realmente vai depender, e muito, do gosto de cada juíz. Já to vendo que livros massacrados por uns vão cair nas graças de outros. Não sei se o tempo de “crítica literária” ou de leitor influi em como cada juíz lê e avalia, se ele procura comparar os livros julgados com outros títulos gaúchos que o agradaram…. Se for assim, talvez isso caracterize o que o JLM disse: os juízes estão exigentes demais. Não vejo problema se for isso, até porque depois de muita leitura, a gente sempre acaba mais exigente, não?

  13. Xerxenesky disse:

    Em primeiro lugar, parabéns para o Reginaldo pela resenha. Não li os livros em questão, então não posso concordar ou discordar, mas a resenha está tão agradável de ler, tão bem escrita, que Reggie PJ JR está de para-parabéns.

    Mas não é isso que eu queria falar.

    É sobre o debate suscitado sobre exigência dos juízes, possível vontade a priori de “demolir” &c.

    Rapeize, não sei quanto aos outros críticos, mas eu, quando sou chamado para escrever uma resenha, pego o livro querendo gostar. Querendo gostar MUITO. Caso se trate de literatura brasileira, então, ihh, sou três vezes mais condescendente. Tratando-se de estreante na literatura, idem. Passo a leitura toda torcendo para que o livro seja excelente, e acho que é assim que qualquer “crítico” deveria se portar: com esperança, se abrindo para seja lá o que o livro possa oferecer.

    • Eu também, Xerxenesky. Eu quero ser feliz, sabe?

      • Xerxenesky disse:

        Ok, Milton, minha resposta foi Pollyanna, eu sei… Mas acho que falo por vários dos juízes daqui (dos que conheço pessoalmente): ninguém lê um livro de má vontade. Se ainda fôssemos críticos pagos, velhos e ranzinzas, que são obrigados a ler o que não necessariamente querem em troca de um salário…

    • Amanda disse:

      Também penso assim e fui munida desse “arsenal de esperança” que escrevi a minha resenha para o gauchão. 🙂

  14. Rafael Bán Jacobsen disse:

    Xerxenesky tem razão.
    Eu também sempre tento gostar do que estou lendo.
    Alias, eu sempre assumo que o livro é muito bom, ate que se prove o contrário… E o pior é que, muitas vezes, provam o contrário mesmo hahaha

  15. Pra começar, quero agradecer os elogios todos à arbitragem. Como juiz e crítico, fico muito feliz. Mas queria fazer duas considerações.

    Primeiro é sobre a questão resenhas destrutivas/não destrutivas e etecéteras: acho que está rolando um pouco de injustiça ou desatenção nesse caminho de comentário. Se relerem o texto do Carlos André Moreira, verão uma resenha equilibrada, apontando, sim, falhas nos livros, mas fazendo também uma série de elogios a cada uma das obras, no que resultou na goleada do Gauchão até agora, um 2×1. Da mesma forma, o Gustavo Faraon abre a avalição sobre o Minicontando dizendo implicar com mini-contos e acaba por atribuir um gol ao livro justamente por uma série de textos terem quebrado sua resistência, terem provocado um sorriso involuntário no leitor, como ele mesmo disse. De resto, concordo com todos os que dizem que virão bons jogos aí (é só olhar a lista de livros) e com o Antônio, em especial, no seu comentário Pollyana. Também leio livros querendo gostar. Às vezes, não gosto.

    Mas acho que tem um ponto que não foi levantado até agora: é a frequência com que nós, leitores e juízes estamos dizendo que não conhecemos os livros em questão. Já repararam? Os juízes, na sua maioria, estão sendo apresentados aos autores que vão julgar. E os leitores não se cansam de afirmar “não li, mas a resenha está boa”, “não li e agora que não vou ler mesmo”, etc, etc e etc. Isso mostra como é difícil os livros chegarem nos leitores e terem apreciação crítica, em especial num mercado feito de pequenas editoras e cheio de autores estreantes. E essa realidade de desconhecimento dos livros da competição, acredito, sublinha a total importância do Gauchão de Literatura. É mais uma chancezinha de tantos e tantos livros perdidos por aí terem um pouco mais de chance de serem lidos, criticados (mesmo que negativamente) ou pelo menos conhecidos por nós leitores.

    Acho que isso.

    • JLM disse:

      reginaldo, com tantos lançamentos mensais (& até semanais) d livros, nacionais e vindos de fora, de escritores estreantes ou já consagrados, vai ser difícil encontrar leitores q tenham lido pelo menos 15% dos livros da cgl. e nem acredito q seja por culpa do mercado, mas principalmente questão da gde divesidade da oferta, gosto pessoal e disponibilidade d tempo & $.

      • Pois então, JLM.
        O que tu diz reforça a importância da CGL e da Copa Brasileira e de outras iniciativas que possam surgir nesse sentido.

        Não estou criticando quem não leu, nem dizendo que se deva ler tudo.

        Apenas estou salientando que o Gauchão é muito bem-vindo para dar espaço aos livros tantos que se perdem nesse mar de lançamentos e no tão pouco espaço que a literatura ocupa no dia a dia. Inciativas assim talvez aumentem um pouquinho a fração que a discussão e a reflexão sobre todos esses lançamentos ocupa na proporção das coisas. E podem permitir assim que tenhamos (eu, inclusive), pelo menos, conhecimento um pouco maior do que rola ao nosso redor.

        É um simples elogio ao Gauchão de Literatura.

  16. ana mariano disse:

    Muito bom, Reginaldo. Não basta tirar o livro do fundo da gaveta e publicá-lo, depois da publicação é preciso tirá-lo do fundo das prateleiras. Há livros que se lê, como disse o Antonio, querendo gostar. Esse querendo gostar pode vir em razão do nome do autor, do ouvir dizer ou de uma resenha bem feita. Boa iniciativa essa de vocês principalmente por trazerem autores novos dos quais ainda pouco se falou. Trazer um nome conhecido ( a Lya, por exemplo) e compará-lo a um novo é uma boa pedida, ajuda a quebrar roteiros e a rasgar rótulos. Dessa vez foi empate, de outra, um autor novo pode ganhar de goleada.

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