JOGO 11 – Minicontando x O girassol na ventania

JOGO 11
(2º jogo do Grupo 2)

Minicontando,
de Ana Mello (Casa Verde / 2009)
x
O girassol na ventania,
de Marco De Curtis (Dublinense / 2009)

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JUIZ
Rafael Jacobsen
– Bacharel e mestre em física pela UFRGS, professor, pianista e escritor. É autor dos livros Tempos & costumes (Prêmio Açorianos de Destaque em Narrativa Longa / 1998), Solenar (vencedor do Prêmio Açorianos / 2006) e Uma leve simetria (finalista no Prêmio Açorianos / 2009). Seu novo romance, Imemorial das pedras, foi contemplado com a Bolsa Funarte de Criação Literária em 2009.

OS TIMES

Time 1: O girassol na ventania (Marco De Curtis, Editora Dublinense)
Uniforme: O livro O girassol na ventania entra em campo muito bem trajado. A capa de Humberto Nunes, com um poderoso céu emborcado sobre um cenário urbano, ainda que não seja muito original ou provocativa, tem a virtude de remeter de maneira direta ao ambiente predominante nas narrativas que compõem o livro. Além disso, para quem está familiarizado com as paisagens porto-alegrenses, as improváveis cores desse céu evocam um entardecer na capital dos gaúchos. Nada mais adequado, porque O girassol na ventania é um livro umbilicalmente porto-alegrense e repleto de ocasos (como metáfora dos vários tipos de perdas que servem de mote para as narrativas de Marco De Curtis).
Esquema de jogo: O girassol na ventania se divide em duas partes, que servem como uma espécie de advertência ao leitor quanto à questão dos gêneros literários: na primeira parte, encontramos cinco contos extensos (Beijos de borboleta, Tudo por acaso, nada por acaso, O girassol na ventania, Irreversível e O velho, o menino e o casarão); na segunda parte, temos duas novelas (Um ajuste de contos e Amor por um triz). Apresenta narrativas “à moda antiga”: extensas (25 páginas, em média, para os contos e 60 páginas para as novelas), com espaço para digressões, longas passagens descritivas e até mesmo episódios secundários, tudo isso conduzido em um arcabouço realista e com uma linguagem conservadora. De certo modo, a estratégia de O girassol na ventania é “remar contra a correnteza”: em uma cultura literária na qual as palavras de ordem são “cortar”, “podar”, “limpar”, as narrativas de Marco De Curtis não se deixam domar por esse paradigma. Essa característica já me fez, de antemão, simpatizar com a proposta do livro, pois sempre enxerguei com desconfiança essa tendência pós-moderna de encurtar os textos a qualquer custo, acreditando que, desse modo, necessariamente, ganharão força. O girassol na ventania entra em campo, então, com uma estratégia diferenciada, mas que guarda certos riscos, porque requer duas importantes habilidades por parte do escritor. A primeira delas é conseguir ter domínio de bola o suficiente para prender o leitor durante toda a extensão das longas narrativas, possuir técnica e também malandragem para deixar a torcida atenta a cada lance. A segunda é conseguir diferenciar o que são episódios paralelos e digressões literariamente significativas daquilo que é apenas excesso (e ter coragem de limar tais excessos). Se, por um lado, O girassol na ventania vai buscar inspiração nos “velhos modelos”, o livro, por outro lado, incorpora às suas jogadas um lance moderno: busca conferir certa unidade às narrativas que o compõem, pois, atualmente, essa mesma cultura literária que superfatura a tal “concisão” costuma ver com desconfiança “um livro composto por meia dúzia de contos aleatórios que o sujeito escreveu ao longo de vários anos e que, um belo dia, resolveu ajuntar em um único volume”. Na segunda orelha do livro, encontramos uma assertiva que confirma o anseio de unidade: “esses são alguns dos temas que compõem essa coletânea, uma sinfonia de dramas existenciais.” Aí está mais um dos riscos desse esquema tático: fazer com que a pretendida unidade temática e/ou narrativa seja legítima e não apenas uma condição de contorno imposta ad hoc. Por fim, cabe destacar mais uma característica marcante do esquema de jogo desse time, uma característica que salta à vista logo ao se folhear o livro pela primeira vez: trata-se da grande aposta nos diálogos, que ocupam, sem exagero, cerca de 50% das páginas cobertas de texto no livro. De fato, apostar no diálogo é uma jogada arriscada, por vários motivos. Destacarei dois. Primeiro: não é fácil escrever diálogos que tenham a naturalidade das falas cotidianas e que, ao mesmo tempo, não apresentem todos os seus vícios e cacoetes (repetições desnecessárias, presença ostensiva de lugares-comuns, abundância de colocações e respostas no estilo “pingue-pongue”, que, na forma de texto escrito, podem ocupar preciosas linhas com um “toma lá, dá cá” estéril e que em nada contribui para a construção da intriga ou do perfil psicológico das personagens). Segundo: não é fácil dotar cada personagem de uma fala própria, de uma articulação peculiar que esteja intrinsecamente correlacionada com a sua psiquê. Em resumo, podemos afirmar que o esquema de jogo de O girassol na ventania (alicerçado em narrativas longas, na busca por unidade sinfônica e na utilização dos diálogos como ferramenta narrativa) é ousado – e bastante perigoso.
Gol de placa: Apesar de o conto O velho, o menino e o casarão ser a narrativa mais bem acabada da coletânea, o ponto alto de O girassol na ventania é, sem dúvida, um dos núcleos do conto que dá título ao livro: trata-se da relação dos irmãos Arthur e Ariel com o cão Amílcar. É justamente ao narrar os conflitos desse núcleo que Marco De Curtis redige as mais belas páginas do livro, aquelas que, verdadeiramente, têm o poder de encantar o leitor com amostras da mais pura sensibilidade, sem nunca resvalar na pieguice, e construindo uma tensão crescente, que culmina em um desfecho de rara dramaticidade e impacto, combinando, com maestria, crueza e lirismo.
Bola Fora: É mais do que uma bola fora: o conto Irreversível é um legítimo gol contra. Esse é (ainda bem) o menor texto da coletânea e consiste, basicamente, na reprodução, em nove páginas, do diálogo que marca o término da relação de um casal. Por causa da epígrafe de Virgínia Woolf (“Ou somos homens, ou somos mulheres”), fica claro, desde o princípio, que a intenção é retratar e realçar, nesse diálogo, as diferenças de papéis entre homens e mulheres e, quiçá, conduzir à reflexão sobre o milenar tema da “guerra dos sexos”. Porém, tudo que o autor consegue é entediar o leitor com uma discussão absolutamente corriqueira entre um homem e uma mulher ressentidos por causa de uma traição, um diálogo trivial, sem nada digno de nota, que não surpreende em momento algum, e que não cumpre nenhuma possível “missão” do texto literário: não provoca deleite estético no leitor e tampouco o faz perceber alguma (até então insuspeitada) nuance da vida, dos seres humanos ou das relações entre eles.

Time 2: Minicontando (Ana Mello, Editora Casa Verde)
Uniforme: O time adversário também entra em campo com um bonito (e, sobretudo, adequado) uniforme. Minicontando, como pede o nome, vem em miniformato, ou seja, no já comercialmente consagrado formato pocket, com pouco mais de 110 páginas. A capa, de autoria de Auracebio Pereira, a partir da arte de Monika Papescu, traz a imagem de um casal enlaçado sobre uma voluptuosa arroba (@) vermelha, com ares de serpente, tendo, ao fundo, uma espécie de “papel de parede” em tom verde-esmeralda, formado por aquilo que, olhando-se com atenção, se percebe ser uma série de placas de circuitos eletrônicos, desses tão comuns nas placas-mãe dos computadores. Essa concepção artística nos remete, diretamente, ao mundo da informática, e nem poderia ser diferente: a autora, Ana Mello, começou a publicar seus primeiros textos na internet e lá formou um público leitor que acompanha fielmente o seu blogue de minicontos. O projeto gráfico do livro é arejado e limpo: em cada página, temos o título do texto que ali está, o texto (miniconto) propriamente dito e, logo após, à guisa de ilustração, novamente o título do miniconto, reescrito, agora, em letras grandes, cinzas e superpostas, acavaladas, invocando, assim, o conceito de extrema condensação que está por trás desse tipo de texto.
Esquema de jogo: Minicontando adota um esquema tático diametralmente oposto ao de O girassol na ventania. Não poderiam ser, aliás, dois livros mais diferentes. Enquanto O girassol na ventania se apresenta como “uma sinfonia de dramas existenciais”, o escritor Marcelo Spalding, no prefácio de Minicontando, descreve o livro da seguinte forma: “cada miniconto é um fragmento do nosso cotidiano (…) Tudo narrado com a simplicidade de quem não se angustia com a imortalidade literária, escreve porque gosta, publica porque o público pede (…).” Enquanto O girassol na ventania nos propõe uma sinfonia, Minicontando nos traz fragmentos, ou, para não perder a metáfora musical, bagatelles (peças curtas, compostas quase como um divertimento); enquanto O girassol busca a unidade, Minicontando é, declaradamente, uma colagem de pedacinhos; enquanto O girassol nos coloca diante de uma macroestrutura, Minicontando detém-se no “micro”; enquanto O girassol revela maiores ambições, Minicontando entra no jogo quase sem querer. Confesso que a moda dos minicontos nunca fez a minha cabeça. Sempre encarei a estética do miniconto como o ápice daquilo que é o leit motiv de boa parte da produção literária contemporânea: esse processo quase obsessivo de enxugar ao máximo os textos. Além disso, sempre julguei os minicontos como o tipo de texto destinado ao consumo imediato e fadado ao esquecimento; portanto, por que eu deveria perder tempo com eles? Sendo assim, foi com leve ar de desconfiança que vi Minicontando amarrar as chuteiras e entrar em campo.
Gol de placa: No universo das narrativas curtas, um exemplar bastante comum é a anedota: uma história breve, engraçada e de “efeito garantido”, exatamente por fazer rir (afinal, quem não gosta de rir?). Por isso, ao se escrever um miniconto, é grande (e sempre presente) a tentação de descambar para a anedota. Dentre os 100 minicontos que compõem o livro, os melhores são justamente aqueles que escapam da anedota fácil e flertam com a poesia, isto é, aqueles que condensam imagens, ações, dramas e sentimentos em um mínimo de palavras. Talvez o mais emblemático exemplo, e que vale a pena aqui reproduzir, seja o miniconto Um amigo: “Costumávamos caminhar nos trilhos do trem, lado a lado. De longe, o barulho, e o tremor sob nossos pés, até chegar bem perto. O apito. Saltávamos cada um para um lado. Um dia ele caminhou sozinho e não quis ouvir.” (Pág. 96)
Bola Fora: São, em contrapartida, aqueles minicontos que, no fundo, não passam de piadinhas. Um didático exemplo é No Inferno III, pertencente a uma série de 9 minicontos que narram a chegada de uma personagem ao reino da danação eterna: “Minha sogra sorrindo: Estava te esperando há um tempão” (Pág. 71). Piadinha de sogra? Não precisava.

O JOGO

A partida tem início, e, tão logo a gorducha começa a rolar, percebo que Minicontando vai, de fato, apostar em um futebol acanhado, porém correto, jogando quase na defensiva, enquanto O girassol toma o gramado inteiro, tem posse de bola pelo maior tempo e arrisca-se em malabarismos com ela. Todavia, a bola cai o tempo todo. A performance de O girassol na ventania no Gauchão é prejudicada por seis problemas fundamentais.

Primeiro problema

O primeiro grande problema de O girassol na ventania é a série de derrapadas no quesito verossimilhança, tanto exclusivamente dentro do texto quanto no diálogo desse mesmo texto com a realidade que ele pretende retratar. Poderíamos dizer, com certa liberdade poética, que O girassol apresenta problemas de verossimilhança interna e externa.

Comecemos pela verossimilhança externa. No primeiro conto do livro, Beijos de borboleta, um pai vê sua pequenina filha morrer enquanto ele próprio tentava impedir que dois ladrões invadissem sua casa; e ele tenta barrá-los jogando o carro (em que ele e a filha estavam) sobre os malfeitores, os quais, é claro, portavam armas e, no confronto, disparam tiros contra o automóvel. Depois de nocautear os bandidos, usando o carro como aríete, lemos a seguinte passagem:

Desligou o carro e respirou aliviado. Antes de sair, porém, constatou que gotas de um líquido escuro haviam se depositado sobre o para-brisa. Ele passou a mão no vidro, lambeu a ponta dos dedos e olhou para a sua palma. “Sangue”, falou em voz baixa. (Pág. 28)

No caso, ele viria a perceber em seguida, era o sangue da filha, atingida por um projétil. Porém, fiquei me perguntando quem, no “mundo real”, passaria a mão em uma mancha que (provavelmente ele já intuía) era de sangue e ainda levaria o líquido à boca, ainda mais podendo se tratar, em princípio, do sangue de qualquer uma das pessoas envolvidas naquela cena de violência (inclusive dos bandidos).

Em certa passagem da novela Um ajuste de contos, o personagem Fausto está no 72º andar de um prédio em Nova Iorque, olhando para baixo:

Daquela altura, o único movimento visível dos pedestres é advindo dos braços alternando-se conforme seus passos. Fausto, ao vê-los abrigados em seus sobretudos, em ternos escuros, em tailleurs bem cortados, imagina seus futuros leitores. (…) os nova-iorquinos – pequenos pontos ambulantes. (Pág. 188)

Talvez eu esteja enganado, mas não me parece provável que, do 72º andar, alguém possa acompanhar os movimentos dos braços de “pequenos pontos ambulantes” e, muito menos, avaliar se os tailleurs que vestem são bem ou mal cortados.

No que tange à verossimilhança interna (a coerência do texto dentro de si próprio), citarei apenas dois exemplos.

No terceiro conto, O girassol na ventania, logo no começo, Arthur, o narrador, assim declara:

Desde que se mudou para a casa ao lado, o Adriano tornou-se nosso melhor amigo. Naquela época, ele tinha dezoito anos, três a mais do que eu, quatro a mais do que o Ariel. (Pág. 74)

Quase automaticamente, o leitor faz as contas e armazena a informação: no começo da narrativa, Arthur tem 15 anos; Ariel, seu irmão, tem 14; Adriano, o vizinho, tem 18. Pouco depois, lemos:

Alguns anos se passaram escurecendo as telhas de casa, clareando os cabelos do pai e da mãe e elevando do solo alguns centímetros os meus olhos e os do Ariel. Ingressamos no ensino médio e, em dois ou três anos, teríamos de escolher nossas profissões. (Pág. 78)

Bem, “alguns anos” significa mais de um ano; supondo que dois anos se passaram (para ficar com o mínimo), podemos deduzir, então, que, a partir daí, Arthur já conta 17 primaveras, Ariel conta 16 e Adriano conta 20 (idades, aliás, condizentes com o fato de os dois irmãos agora estarem no ensino médio). Perfeito, vamos adiante:

Naquela época, o Ariel estava apaixonado. (…) Francisca era linda: cabelos castanhos, olhos verdes e um ano mais velha do que ele. (Pág. 79)

Descobrimos, assim, que essa nova personagem, Francisca (também, muitas vezes, chamada de Chica) tem, pelo menos, 17 anos. A confusão começa umas três páginas adiante, quando encontramos um diálogo entre Adriano e Esther, uma jovem e dadivosa viúva que, em palavras do próprio conto, “transava com ele pelo menos duas vezes por semana”:

“Acho que o Ariel vai perder a Chica e vai sofrer. Ele está apaixonado e é muito inocente… Uma criança.” Adriano falou como se adulto fosse – a presunção dos dezoito anos –, como se não estivesse completamente encantado pelo viés mágico que transar com Esther lhe trazia. (…)
“Quinze anos, Adriano, quinze anos… Ela é uma criança também, e…”, Esther olhou nos olhos dele.
(Pág. 82 e 83)

Agora, de repente, Adriano tem, de novo, 18 anos, e a Chica tem 15, o que rebaixa, pela lógica das idades, o desafortunado Ariel, outra vez, aos 14 anos. Daí por diante, o leitor não consegue mais ter certeza sequer da idade das personagens e ganha mais um motivo para olhar o texto com desconfiança.

Um segundo – e grave – problema de coerência interna está, justamente, nesse diálogo entre Adriano e Esther, depois de terem “transado” (para usar uma palavra da qual o autor parece gostar bastante). Trata-se de um trecho em que as falas das duas personagens, na intimidade da alcova, são reproduzidas fidedignamente e no qual um narrador onisciente se manifesta vez ou outra. Não haveria problema algum nisso se não fosse pelo fato – lembrem-se! – de que o conto O girassol na ventania é narrado em primeira pessoa por umas das personagens, o rapazote Arthur. Como poderia Arthur saber de todo esse diálogo entre o vizinho Adriano e sua amante, com todas as reticências e interjeições possíveis? Arthur, que não estava presente nessa cena (não era um ménage à trois), jamais poderia, por exemplo, dizer algo assim:

Adriano a escutava atentamente. Seus olhos, duas esferas reluzentes na escuridão, estavam vidrados nela. Esther adorava perceber o olhar dele admirar seu corpo. (Pág. 83)

Todo esse diálogo entre Adriano e Esther é um corpo estranho dentro do conto, algo claramente enxertado na narrativa, e a estranheza desse diálogo no conto nada mais é do que um indício do quão estranha é, em si, a presença das próprias personagens Esther e Adriano no conto. O verdadeiro conflito está no núcleo familiar dos irmãos Arthur e Ariel, seus pais e o cão Amílcar. Em torno desse núcleo, porém, gravitam ao léu Adriano, Esther e Chica, personagens que não chegam a crescer e não ajudam a levar adiante a tocha da narrativa. Por que, então, o autor achou por bem colocá-los no conto? A (surpreendente) resposta é rapidamente encontrada, logo no próximo conto, Irreversível, e essa resposta nos ajuda a enxergar o segundo problema do livro.

Segundo problema

Em Irreversível, deparamos com o mesmo Adriano de O girassol na ventania, anos depois, em uma briga conjugal com uma tal Verônica (ficamos sabendo que, de fato, é o mesmo Adriano porque, no meio da discussão, ele é invadido pela lembrança de algo que lhe disse a viúva Esther). Através desse expediente, o autor “amarra” os dois contos em questão; essa amarra, porém, é espúria e, portanto, frágil, simplesmente porque o fato de o Adriano de Irreversível ser o mesmo Adriano de O girassol na ventania não torna nenhum dos dois contos melhor, não acrescenta significado a nenhuma das duas narrativas. Em tempo: outra amarração de mesma natureza é feita entre os textos Beijos de borboleta e Tudo por acaso, nada por acaso, pois eis que o protagonista desse segundo conto revela-se o analista da mãe da menininha morta no conflito com os ladrões (episódio esse narrado no primeiro conto). Se isso faz diferença para qualquer uma das duas histórias? Resposta breve: não.

Eis o segundo grande problema do livro: a tal orquestração sinfônica prometida carece de harmonia e realização hábil, pois os motivos que se repetem entre os movimentos não têm força suficiente para firmar a desejada unidade.

Além disso, a essa altura do campeonato, o leitor já entendeu as regras do jogo proposto pelo autor: algo que aparece em um conto pode (e provavelmente vai) reaparecer mais adiante, em outra narrativa. Tendo compreendido isso, porém, para sua grande frustração, o leitor começa a esbarrar em uma série de pistas falsas. Vejamos apenas um exemplo (dentre dezenas).

Em Tudo por acaso, nada por acaso, Júlio e Luiza se conhecem em uma festa de formatura e travam um diálogo (de cerca de 12 páginas) ao longo do qual se envolvem em um jogo de sedução mútua e acabam se apaixonando. Quase no final desse diálogo, lê-se o seguinte (Júlio é quem fala):

É um ditado africano. Um ditado ganense que aprendi com um colega de faculdade: Kofi Essel Appiah. (…) Um africano. Um grande amigo e uma das pessoas mais carismáticas que conheci. Ganense, um metro e noventa de altura, fluente em inglês, francês e português, extremamente elegante e de uma educação de deixar qualquer lorde inglês parecendo um viking bêbado. Você iria adorá-lo, uma pessoa especial e muito rara, das mais raras que conheci. Infelizmente, voltou para Gana. Mas, quando retornar a Porto Alegre, você irá conhecê-lo. Está combinado? (Pág. 59)

Por certo, o tal africano deve ter alguma importância no livro, afinal foi invocado, aparentemente do nada, no meio de um diálogo de conquista romântica, com direito a nome, currículo e elogios rasgados do protagonista. Certo? Errado. O pobre Kofi Essel Appiah morre por aí mesmo, sem encontrar ressonância nesse ou em qualquer outro conto, um acorde desafinado no meio da sinfonia.

E são, de fato, muitas arestas mal-aparadas dessa natureza que tornam a leitura de O girassol na ventania um tanto incômoda. São exemplos daquilo que não é nada mais do que excesso e que, sim, mereceria cortes impiedosos, em benefício de um texto mais bem acabado e de um percurso de leitura mais fluente. Talvez sejam referências importantes para o autor, elementos da “vida real” inseridos no texto, que, no entanto, para os leitores, não significam absolutamente nada.

Terceiro problema

Um terceiro problema é a eventual intrusão do narrador, que chama muito a atenção e traz de arrasto todos os seus malefícios: engessa personagens, impõe ao leitor uma específica visão acerca dos fatos narrados, substitui sugestões por explicações cerebrinas. E tudo isso reduz a literaridade do texto. Vejamos alguns exemplos, todos retirados de Amor por um triz, o texto que fecha a coletânea. Na pág. 224, lemos:

De família relativamente abastada, Gabriel nunca vivera privações; talvez por isso, não adquirira o hábito de economizar. ‘Dinheiro é para ser usufruído’, pensou durante toda a adolescência, e esse tipo de pensamento agora perdurava em sua vida adulta.

É quando o narrador entra de sola, julgando a conduta do personagem e de toda sua família:

Compreensível, pois, comum à família Cortese, atravessara gerações desperdiçando a inteligência e a criatividade com as quais eles haviam sido agraciados pela genética.

Mais adiante, o narrador em terceira pessoa decide pular para fora das páginas e, praticamente, conversa com o leitor, em tom francamente coloquial (coisa que, até então, não fizera):

Como qualquer outro bar: fumaça de cigarro, jovens a mil, balzaquianas perdidas e quarentões extraviados, desatino, álcool, otras cosas mas e o diabo à paisana. (Pág. 250 e 251)

Aliás, é uma (desagradável) característica dos narradores presentes no livro O girassol na ventania essa tendência constante de contar em vez de mostrar, de explicar em vez de sugerir, de analisar em vez de indagar; dessa forma, aquele que se aventura nas páginas da coletânea recebe informações muito prontas, sem significativo espaço a ser preenchido pela imaginação do leitor, por suas próprias reflexões e sentimentos.

Quarto problema

As personagens, por sua vez, também padecem de vícios análogos aos do narrador, especialmente no que diz respeito à emissão de julgamentos – o que nos leva ao quarto problema do livro: justamente as personagens.

A maioria delas, especialmente as personagens masculinas, são bastante parecidas entre si, com falas semelhantes, e marcadas pelas seguintes características comuns, que parecem surgir como corolário de uma tentativa (não muito bem-sucedida) de fazer um “texto engajado” (seja lá o que for isso):

1) Não deixar passar uma oportunidade de emitir opiniões (sempre um tanto maledicentes) sobre a política e a realidade brasileiras.
2) Fazer discursos inflamados (ou monólogos interiores) acerca da superficialidade da sociedade de consumo capitalista (o que sempre acaba resvalando, sem querer, para um certo moralismo).
3) Invocar cultuados e variados pensadores nos momentos mais inoportunos.
4) Fazer interpretações (forçadamente) psicanalíticas, ou, pelo menos, usar generosamente o jargão psicanalítico (e isso vale para as personagens que têm profissões nessa área, mas também para aquelas que são, por exemplo, professores de literatura).

Toda essa similitude reflete-se, é claro, nos diálogos (não havendo, portanto, dicção própria de cada personagem), e isso mostra que, na verdade, grande parte das falas e pensamentos colocados nas personagens não são, de fato, delas, mas sim do autor.

Vejamos exemplos das características listadas acima, de uma maneira quase didática.

Característica 1:

‘País de merda. Época absurda’, pensava Pedro ao percorrer as ruas da cidade. Ao ver as crianças de rua pedindo dinheiro, ao vê-las circular em seus andrajos, seus pés descalços, em meio aos carros, divagava: ‘tecnologia e miséria juntos, é o melhor retrato do país.’ (Pág. 32)

Aliás, aqui no Brasil, está acontecendo algo interessante. Há anos ninguém se diz de direita. (…) Nossas elites – sempre foram de direita, isso é inegável – parecem pensar que o atraso que nos legaram pode ser disfarçado numa simples questão semântica. É de fazer rir. (Pág. 179)

Característica 2:

Sim. Era só sobre o que ele queria conversar… Imóveis, carros e ações. (…) Geração de merda… Um bando de filisteus, mercantilistas que serão enterrados com seus anéis. (…) não havia qualquer possibilidade de conversar civilizadamente, conversar sobre algo relevante. É uma piada, um retrato de nossa época. (Pág. 229)

Vez ou outra, ao almoçar no shopping perto do consultório, detinha-se a observar os adolescentes. ‘Escravos da imagem’, sentenciava. ‘Piercings, tatuagens, cabelos pintados de roxo, laranja, rosa… Seus corpos são uma súplica, um pedido de atenção. É outra geração, definitivamente, outra geração’, era o que, em geral, concluía. (Pág. 231)

Característica 3:

Aqui, é preciso contextualizar. Na novela Amor por um triz, depois de uma noite de sexo “intenso, meio afoito, meio bruto” (pág. 233), o casal protagonista desperta e, ainda entre lençóis, embarca em um diálogo “filosófico” (ela começa a falar):

“Mas acredito que a pergunta melhor não seria essa, e sim, se conseguimos mudar algo em nossas vidas a partir do que consentimos dizer a nós mesmos?”
“É verdade… Você andou lendo Freud?”
“Nietzsche.”
“Está explicado.”
(…)
“Lembro que o pai me dizia isso, que existe uma névoa entre as pessoas.”
(…)
“Seu pai deve ter lido Shakespeare.”
“Shakespeare?”
“Sim, Shakespeare costumava afirmar isso: que a maioria de nossos problemas advém da incapacidade de escutarmos uns aos outros.”
(…)
“Bom, muito bom…”, Isadora deu uma gargalhada. Gabriel riu também.
“E eu falei para você o que o Confúcio dizia a respeito de ouvir e falar?”
“Não me lembro.”
“Você possui duas orelhas e uma boca. Procure usá-las na mesma proporção.”
(…)
“Acredito que essa necessidade compulsiva de falar seja o melhor retrato de nossa época.”
“Com certeza, Isa, é a época… Nossa época.”
(Pág. 234 a 236)

É tão “cult” isso: discutir o pensamento de Freud, Nietzsche, Shakespeare e Confúcio depois de uma noite de sexo selvagem – não deixa de ser, também, um retrato da nossa época!

Já na novela Um acerto de contos, o personagem Henrique desmascara Fausto, que vinha plagiando uma série de textos seus. Em meio à carraspana que passa no ex-colega de faculdade, Henrique encontra fôlego para um pouco de professoral name-dropping:

Imagino que nunca tenha lido Caio Prado Jr., Gilberto Freire, Faoro, Celso Furtado e todos os outros, o mínimo para compreender o passado do Brasil. (Pág. 196)

Característica 4:

Você não está sozinho nessa conduta psicopatológica. Aliás, falando em patologia, anos atrás a Clarice me revelou que você foi criado desde criança por um padrasto, por um cara que, além de não o suportar, batia diariamente em você (…) (Pág. 196)

Peter Pan, Gabriel… Puta merda, mas que ferida narcísica. Você se dá conta de como está sendo egoísta? (Pág. 255)

Falemos, brevemente, sobre as personagens femininas. São, em geral, bastante secundárias, despidas de ontologia própria, padecendo de uma tendência ao estereótipo, seja de esposa/mãe resignada (e, às vezes, um tanto neurótica, especialmente no que diz respeito a questões como fidelidade marital e anseios de maternidade) ou de mulher livre e lasciva. Algumas praticamente não transcendem a mera citação, como Acácia, avó do menino-protagonista de O velho, o menino e o casarão.

Quinto problema

Na novela Um ajuste de contos, aquela em que Fausto começa a publicar, como se fossem seus, alguns contos escritos por um ex-colega de faculdade chamado Henrique, o leitor se surpreende ao descobrir que esses contos são, nada mais nada menos, que Irreversível, Beijos de borboleta, O girassol na ventania, Amor por um triz e O velho, o menino e o casarão. Ao longo da narrativa, Henrique envia esses contos por e-mail para Fausto, que está em Nova Iorque, e, ao mesmo tempo em que Fausto os traduz para o inglês e os encaminha para publicação como se fossem seus, ele e Henrique seguem as conversas por e-mail, comentando os contos. Paralelamente, algumas personagens também emitem opiniões sobre os textos. Essa “sacadinha metalinguística” deveria ajudar a conferir unidade ao livro e poderia ser a pepita de ouro da coletânea, mas o artifício não cumpre a missão.

Antes de mais nada, incomodam os exagerados elogios das personagens aos contos (que, nesse caso, ganham, inevitavelmente, ares de autoelogio autoral). Por exemplo, o fraquíssimo conto Irreversível é descrito, pelas extasiadas personagens, como um texto que “vai muito além de uma reles discussão”, uma “narrativa tensa do início ao fim, constrangedora, desconfortável”, uma “retrato de nossa geração, do sexismo tolo e generalizado”, um conto de “temática contemporânea e diálogo muito bom”, além de “tecnicamente bem escrito”. Mas a pior parte talvez seja a prédica de Henrique a cada e-mail, explicando, analisando e interpretando o conto que envia em anexo. Essas considerações tendem a conduzir a leitura pela vereda desejada pelo autor, coisa que, mais uma vez, joga a literariedade para escanteio. Além disso, as considerações de Henrique sobre seus textos são sempre um tanto pernósticas, forçadas e pseudoengajadas, além de darem a impressão de que estão ali para explicar ao leitor mais néscio tudo que ele não teve capacidade de entender sozinho.

Sobre Beijos de borboleta, por exemplo, Henrique escreve:

Nesse conto, tento evidenciar que, de uma hora para outra, a violência pode desabar sobre a vida de qualquer família, que ela é o reflexo da incompetência dos governos que tivemos, da incapacidade deles de elaborar e implementar um projeto de crescimento decente, um projeto que pudesse estancar o abismo social que se avolumou nas últimas décadas. (Pág. 178 e 179)

Em contrapartida, Fausto tece algumas críticas aos textos de Henrique. Ao comentar Amor por um triz, Fausto escreve:

Achei interessante sua novela Amor por um triz, mas acredito que ela exponha todas as falhas da sua prosa. Cito, por exemplo, sua incapacidade de conferir verossimilhança ao que acontece com os protagonistas. (…) Penso que o tema seja contemporâneo, mas é um lugar-comum; não há nada de novo nele. (Pág. 188)

Tais críticas procedem, e não apenas em relação a Amor por um triz, mas sim ao livro todo. E isso também incomoda. Parece uma “esperteza” do autor incluir, no próprio texto, as possíveis críticas dos leitores, como se falasse “eu já sei o que vocês vão dizer, mas é tudo de propósito”. Causou-me grande desconforto ver as falhas de todo o livro apontadas dentro do próprio livro e em um texto que padece dessas mesmas falhas.

Sexto problema

O último problema de O girassol na ventania é o que se poderia chamar, por falta de expressão mais precisa, de “problemas estilísticos”. Para poder melhor exemplificá-los e discuti-los, dividi-os em quatro categorias, a saber:
a) Uso de clichês.
b) Imagens de gosto duvidoso.
c) Cenas de sexo idem.
d) Tom anacrônico.
Haveria outras questões de estilo a serem avaliadas, mas, para tentar abreviar esta já imensa resenha, não irei abordá-las.

a)    Uso de clichês:

São abundantes os lugares-comuns ao longo da coletânea. Vejamos exemplos:

Deus tem mais para nos dar do que o Diabo pra nos tirar. (Pág. 37)
A vida nasce da vida, não é, doutor? (Pág. 37)
(…) gente é que nem planta, não é, doutor? Se não regar, se não tratar bem, elas murcham. (Pág. 37)

Alguém poderia objetar que os exemplos acima foram retirados das falas de um modesto, iletrado e idoso jardineiro de cemitério que o protagonista de Beijos de borboleta encontra quando vai visitar o túmulo da filha e que cumpre um papel do tipo “simples homem do povo que, mesmo sem estudos ou saber formal, possui uma grande sabedoria de vida que compartilha de maneira singela”. Isso pode dispensá-lo de compor filosofias dignas de um Heidegger, mas não deixa de ser irritante ter de ler o bom velhinho disparando clichês a cada fala. Contudo, em O girassol na ventania, os lugares-comuns e os raciocínios fáceis não são monopólio do jardineiro. Os exemplos a seguir estão em todo o livro, na boca das mais variadas personagens (e até mesmo do narrador):

Estamos em uma sociedade capitalista. Mas, muitas vezes, a busca compulsiva por dinheiro é um bom disfarce para a estupidez, o raquitismo intelectual. (Pág. 50 e 51)
Aliás, sexo e afeto é só o que nos importa, é o que nos move. Viagens, carros, casa própria são, na maioria das vezes, meras metáforas, sublimações. (Pág. 54)
Espreitando-os lá do alto, a lua é como se fosse um olho branco no meio da escuridão. (Pág. 56)
Agora velho, septuagenário, ao mergulhar nos labirintos do inconsciente (…). (Pág. 120)
Isadora retribuiu seu olhar, mas nada lhe disse; a ausência de palavras dizendo tudo. (Pág. 209)
Nada arriscar é tudo perder. Ousa. (Pág. 247)

b) Imagens de gosto duvidoso:

Em certo momento da novela Um acerto de contos, o plagiário Fausto recebe um e-mail de um importante editor, solicitando o envio de algum conto que ele (Fausto) tenha guardado, para possível publicação. O editor escreve: “Acredito que você deva ter algumas pérolas escondidas nas águas digitais de seu computador.” Fausto, então, pensa em voz alta, na pág. 69: “Que imagem ridícula, bem se vê que não entende nada de literatura.” A questão é que, em O girassol na ventania, em vários momentos, aparecem construções capazes de ombrear com essa imagem caricata das “pérolas nas águas digitais”. Vamos aos exemplos:

Em breve, como uma burca negra, a escuridão cobrirá a cidade (…). (Pág. 172)
Enquanto se beijavam, caminhavam em direção ao quarto. Despiram-se rapidamente. Deitados, pernas e braços se entrelaçavam: um caranguejo humano. (Pág. 214)
(…) após uma curva, um caminhão – cujo motorista adormeceu no volante – cruza a faixa na direção deles. A morte está com os faróis ligados. (Pág. 216)

c) Cenas de sexo de gosto duvidoso

Escrever cenas de sexo é, provavelmente, a tarefa mais ingrata para um escritor. Isso porque, mesmo para os grandes mestres (da literatura, entenda-se bem), a cena tem sempre enormes chances de cair na vala da mera obscenidade ou de sair com ares de episódio de um romancete do tipo “Júlia” ou “Sabrina”. Em geral, recai-se nessa segunda situação quando se foge demais da primeira. O girassol na ventania é um desses livros que, buscando fugir da obscenidade (o que é muito bom), acaba caindo na pieguice (o que é muito ruim). Um pedagógico exemplo está na novela Amor por um triz:

O sexo fora excelente, intenso, meio afoito, meio bruto. Primeiro no sofá da sala. Gabriel estava tão excitado que acabou estragando o sutiã dela. Isadora montou nele e chegou lá rapidamente. Antes de irem para o quarto, nem perceberam a mancha de sêmen que haviam deixado no estofado. Atravessaram o corredor aos tropeços e gargalhadas; na segunda vez, ele a pegou por trás como ela gostava; como ele sabia que ela gostava. Dormiram abraçados, o ar-condicionado no máximo. (Pág. 233)

d) Tom anacrônico

Alguns detalhes na escrita de O girassol conferem aos textos uma aura de anacronismo. Um deles é o uso e abuso de reticências, sinal gráfico em franca decadência. No entanto, um aspecto bem mais relevante na exemplificação do leve tom anacrônico que perpassa O girassol na ventania é a frequente ressonância entre o estado psicológico das personagens e o ambiente externo (fenômenos da natureza, em geral), expediente muito utilizado pelos autores do romantismo (século XIX) e que, hoje, cheira a clichê. Simplificando, funciona assim: quando a personagem está contente, as flores desabrocham e o sol brilha; quando a personagem está triste, o céu se fecha e a chuva cai. Eis dois exemplos didáticos, da novela Amor por um triz:

De súbito, sente seus olhos umedecerem; Isadora deita-se na cama e desata a chorar. Uma chuva forte começa a cair, e ela aninha-se em meio às cobertas. (Pág. 240)

O dia está nublado; a cidade, uma foto em preto e branco. ‘Tudo sem cor, combinando conosco’, ela pensa quando o carro ganha as ruas. (Pág. 245)

PLACAR

Antes do placar, vale falar um pouco sobre o desempenho de Minicontando na partida. E só um pouco mesmo, pois não há muito a ponderar. Talvez dizer simplesmente que Minicontando é um livro de minicontos resuma tudo, por ser exatamente tudo o que se espera de uma coletânea de 100 histórias supercurtas: há momentos bastantes fracos, outros bons, vários de mediano impacto, alguns poucos de brilhantismo. Para ser bem preciso, fiz uma estatística pessoal, segundo meus subjetivíssimos critérios: dos 100 minicontos, avaliei 19 como bons, 5 como excelentes, 7 como fracos e os 69 restantes como medianos (no sentido de que são bem escritos, corretos, mas não chegam a levantar a torcida). Ou seja: Minicontando não ousou, jogou na retranca e, por isso, errou menos do que O girassol na ventania, sem, porém, marcar nenhum gol.

Por outro lado, O girassol, levando-se em consideração todos os problemas discutidos, marcou um belo gol contra. Assim, temos o placar:

Minicontando 1 x 0 O girassol na ventania

Minicontando vence a partida, menos por mérito e mais por sorte de ter enfrentado um adversário que não deu o show de bola prometido e, ao contrário, chegou, em diversos momentos, a tropeçar nos cadarços das próprias chuteiras.

Talvez ainda caiba uma última consideração para justificar mais formalmente o placar acima. Norman Friedman certa vez observou que “um conto é curto porque, mesmo tendo uma ação longa a mostrar, sua ação é melhor mostrada numa forma contraída ou numa escala de proporção contraída”. E é exatamente assim: as narrativas de Minicontando dificilmente funcionariam se fossem mais extensas, e as de O girassol na ventania certamente ganhariam força se fossem despidas de seus excessos.

Dada minha impressão inicial, nunca imaginei que assistiria à vitória de Minicontando. Mas a literatura, assim como o futebol, é uma caixinha de surpresas.

PLACAR
Minicontando 1 x 0 O girassol na ventania

VENCEDOR
Minicontando, de Ana Mello

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27 respostas para JOGO 11 – Minicontando x O girassol na ventania

  1. Mauro Paz disse:

    Boa, Ana.
    Quando li teu livro ano passado sabia que ali tinha a semente de um trabalho muito bacana e original.

    Mais uma vitória no gauchão de literatura, mais um ponto pros microcontos.

    Beijo,

  2. Gente, eu achei genial a proposta desse “jogo”. Só penso que deveria ser mais conciso. Para um blog está muito longo; e a leitura do texto pode facilitar também se “justificado”, mantendo essas quebras. Fora isso, muuuito legal! O outro autor não conheço, a Ana é mesmo ótima!

    • Lu Thomé disse:

      Priscila! Tens razão quanto ao tamanho do texto. Mas acho que, no caso do Gauchão, onde os comentaristas sinalizaram o fato de algumas resenhas foram objetivas e concisas demais, valia a pena publicar o material do Jacobsen na íntegra.

      Uma homenagem às longas resenhas! E o Gauchão agradando todas as torcidas! E, e sim: a primeira versão desta resenha era maior. Ele cortou. 🙂

      • Luiz Paulo Faccioli disse:

        Sei não. Uma sensação que me passou foi que o Jacobsen gastou pólvora em chimango. Outra: me lembrei do Jô Soares e de quanto ele gosta de falar mais do que o entrevistado, principalmente quando a intenção é humilhá-lo. Entre a concisão e a volúpia, o difícil mesmo é encontrar o equilíbrio.

      • Carlos André disse:

        Caraca! Maior resenha da copa até agora, mas gostei muito. Não chego a considerar que o Jabcobsen gastou “pólvora em chimango”, como disse o Luiz Paulo. Creio que gostei da resenha justamente pelo fato de ser exaustiva, aristotélica, justificando cada ponto com um comentário seguido de um excerto extraído do livro. O que talvez eu comentasse, provocativamente, seria o fato de que o próprio Jacobsen é tão metódico em sua resenha que ele também antecipa todas as críticas que o leitor fará ao texto e as responde – o que não deixa de ser engraçado, dado que esse fato é apontado como um problema no livro do De Curtis.
        Parabéns ao Minicontando e reitero minha apreciação. Grande resenha, feita para pôr os livros em discussão e, até, provocar polêmica, por que não?

  3. Carmen Silveira disse:

    Não li os livros que entraram em campo.
    Mas, confesso, li com grande prazer os comentários do Rafael Jacobsen: uma análise que não deixa dúvidas quanto à precisão da arbitragem. Parabéns aos jogadores e ao árbitro.

  4. Chi, esqueci o principal. Parabéns, Ana Mello!

  5. tedesco disse:

    Gente, cá entre nós, de cantinho, e quem, depois de ler jogos como esse não sente vontade de correr para ler os dois livros, ler e rever se alguém ali não abusou ou deixou de abusar? Reforço meus parabéns ao Gauchão da literatura. Indicarei no site da Oficina do Livro como uma excelente oportunidade para o autor, qualquer autor, refletir sobre sua própria obra. O Gauchão é merecedor de um bom destaque nesse deserto da crítica em que vivemos.

  6. Rafael Bán Jacobsen disse:

    Olá, queridos!

    Pois é: eu tinha a plena consciência de que o colossal tamanho da resenha desagradaria muito, mas foi um risco que resolvi correr, até para provar que é verdade aquilo que afirmo na própria resenha: não sou lá muito fã da concisão. De qualquer modo, apenas para tentar deixar o diabo um pouco menos chifrudo, faço duas observações:

    1) O que a Lu disse é verdade, acreditem: a primeira versão da resenha tinha quase o dobro do tamanho.
    2) 33% do “espaço físico” ocupado pela resenha está preenchido por linhas em branco ou por citações diretas dos livros; ou seja: o que é texto meu, de verdade, se resume a algo 33% menor do que está aí na tela do computador de vocês (sim, eu fiz essa contagem, não é um número chutado – adoro estatísticas!).

    Mesmo assim, é grande, eu sei; porém, se eu não fosse bem explícito, se eu não explicasse todos os porquês e os exemplificasse com fartura, eu, intimamente, ia me sentir muito mal, pois, tenho certeza, eu ia ficar parecendo simplesmente um chato que não gosta de nada e vê defeito em tudo. Eu precisava MESMO que as pessoas “vissem com seus próprios olhos”.

    No mais, elogiar às pampas é coisa fácil e rápida de fazer; não me tomaria mais do que meia dúzia de linhas. Por outro lado, fazer críticas, além de ser coisa desconfortável, exige, ao meu ver, muito mais fundamentação. Decidi, de fato, expor quase tudo o que pensei, em detalhes, motivado por algo que o Charles Kiefer escreveu sobre o Marco na orelha de “O girassol na ventania”: “Ao contrário de outros jovens escritores, quando confrontado com a crítica, não a toma como ataque pessoal, mas como possibilidade de aprendizado e desenvolvimento.” É exatamente isso! Por essa razão, resolvi fornecer ao Marco todos os detalhes para os tais “aprendizado e desenvolvimento” (se é que ele tem algo a aprender lendo uma resenha escrita por mim, que nem profissional do ramo sou; mas dizem que a gente pode aprender coisas até com o mais desvalido dos energúmenos, então…).

    Mas confesso, aqui, uma outra razão para o tamanho monstruoso da resenha: sofri um trauma, há muitos anos, quando, durante a apresentação de minha dissertação de mestrado, uma professora da banca, brandindo o calhamaço de 300 páginas que eu havia redigido (algo estupidamente grotesco, ainda mais para um trabalho de física teórica), disse “Como você se deu a liberdade de escrever muito, eu me darei a liberdade de comentar e perguntar muito”. Ai! Doeu! Mesmo assim, adotei essa máxima como um mantra. Assim, como o Marco se deu a liberdade de escrever muito (o que, como eu disse na resenha, acho muito legal), eu também me dei a liberdade de comentar muito.

    (Aguardem, então, minha resenha de “Em busca do tempo perdido” – jejeje!)

    Beijos do gordo!
    (Segundo o implacável aparelhinho da bioimpedância, eu preciso emagrecer 2 quilogramas para me encaixar perfeitamente nos rígidos padrões de beleza da sociedade ocidental contemporânea.)

  7. Adriana veiga disse:

    Parabéns, Ana é um gol compromissado aos desafios literarios, para quem ainda não leu, corra para fazer sua leitura e entender pq marcaste o placar.
    Abraços

  8. Izze Odelli disse:

    Entre almoço, reunião e trabalho, essa página do site está aberta aqui desde de manhã e só agora consegui ler tudo! Mas valeu muito essa leitura. Foi quase uma aula de “como analisar um livro”. Jacobsen conseguiu passar o que queria: fazer o leitor ver com seus olhos as falhas que ele viu. E tenho que dizer que, realmente, foram grandes falhas. Só discordo de uma, que foi a sobre o “papo” depois do sexo selvagem. Acho que depois do sexo pode surgir qualquer assunto, do “você gostou?” à reflexões sobre a vida (o universo e tudo mais hehe). No mais, tá ótima a resenha, e eu que geralmente tenho preguiça de encarar um texto longo considero que ela vale o tamanho.

    E parabéns ao Minicontando!

  9. Gostei da resenha no que ela tem de expositiva e exemplificadora, em contraposição àquelas do tipo gosto ou não gosto pousadas também aqui. Pela extensão, parece até que o Jacobsen aproveitou para comentar outros livros indiretamente. Talvez valha a pena lembrar que concisão e tamanho são coisas diferentes. Buscar a unidade dos contos na edição de um livro é uma das possibilidades, relativa à histórica preponderância do gênero romance, ao desejo de criar algo que gere significados para além das partes ou mera exigência mercadológica, não uma lei. Parabéns aos dois classificados até agora, Dill e Ana.

  10. Vivian Siqueira disse:

    Acho que a crítica do Rafael está bem fundamentada. Só que fiquei achando que ele quis olhar pra um lado da coisa. Li o Girassol na Ventania e recomendo. As histórias são ótimas, cativam o leitor e não deixam a gente largar o livro. Claro que tem alguns problemas, só que a habilidade do autor em fazer o mais importante num livro – contar uma história bacana – é inegável.

  11. Pena Cabreira disse:

    Rafael, li com calma a análise cirúrgica que fizeste do “O Girassol na Ventania”. Parabéns! A minha admiração por ti elevou-se à uma potência imensurável mesmo para um homem das exatas como tu, obrigado. À propósito, não li o livro, obrigado novamente.

  12. Pena Cabreira disse:

    Meus parabéns com profunda admiração ao Rosp, o editor suicida.

  13. JLM disse:

    uau, q jogaço! uma verdadeira aula de literatura, como disse a izze. repito: uau!

    o comentário sobre a capa e interior do minicontando além de mostrar uma análise preocupada e apurada, despertou minha curiosidade de abrir o livro. certamente farei isso se encontrá-lo pela frente.

    qto às derrapadas do ventania, não seriam falhas q, além do escritor, o revisor e a editora deveriam se preocupar? ou eu é q estou anacrônico e os revisores e editoras ñ fazem + isso?

    qto ao tamanho da resenha, já provou einstein q é relativo, ñ? qdo o texto é bom a ponto da gente se abstrair, quem é q vê tamanho? foi oq aconteceu comigo. por mim, a resenha poderia ser até maior q meu deleite ñ diminuiria.

    enfim, parabéns ana & rafa, cada um pelos seus méritos próprios. e parabéns para o marco, q teve um trabalho seu bem analisado e q trouxe à tona aspectos da obra/autor (independente se este concorda ou ñ) q talvez até ele ñ percebera antes.

    • Rodrigo Rosp disse:

      Sim, a função do editor é identificar e apontar questões nos textos, sugerir caminhos. E tudo isso foi feito, como é praxe. Porém, o ponto até onde um editor interfere numa obra é sempre uma negociação delicada e única, diferente para cada livro e para cada autor. Os limites vão se criando naturalmente, e jamais há qualquer tipo de imposição. Além disso, há a questão do estilo de cada autor, que deve ser preservado sempre.

      Ainda sobre isso, quero testemunhar o trabalho do Marco, que passou quase cinco anos dedicando-se – e muito – para aprimorar o livro. Ouviu opiniões, reescreveu, lapidou à exaustão, enfim, tratou com respeito o leitor – e isso também deve ser valorizado. Sem dúvida, eu vejo muitos acertos e qualidades no livro.

      Sobre a resenha do Jacobsen, está muito bem construída. Mas é interessante, sempre, ressaltar que uma obra não tem apenas uma leitura “correta”. Já tivemos, aqui no próprio Gauchão, o caso do Faccioli discordando frontalmente do Spalding sobre O Ideograma Impronunciável, para ficar em um exemplo apenas. O girassol na ventania, que tanto desagradou ao Jacobsen, é o mesmo livro que venceu o Prêmio Sofia – com jurados de respeito como Luiz Antonio de Assis Brasil, Regina Zilberman e o próprio Carlos André Moreira – e já foi elogiado por muita gente, como o Goida, que adorou o livro e o elogia sempre.

      Faço questão de fazer esta defesa d’O Girassol apenas porque também sempre fiz a defesa da liberdade total dos juízes serem honestos com suas impressões pessoais, e tão duros quanto achassem que deveriam, mesmo que isso desagradasse os autores, os editores (que é o meu caso aqui) ou quem quer que fosse.

      É isso, pessoal. Sigo na minha convicção que debater os livros e dar espaço para todo tipo de crítica é sempre muito melhor – para todo mundo – que o silêncio.

  14. Monique Revillion disse:

    Cheguei hoje ao campo e estou adorando as partidas aqui documentadas. Parabéns a todos que organizaram e participam.
    Este disponibilidade para a troca de idéias só acrescenta, principalmente neste espírito de cordial franqueza e liberdade.
    Longa vida ao Gauchão!

  15. Rafael Bán Jacobsen disse:

    Olá, meu povo!

    Aproveitando a deixa do nosso querido Rosp, gostaria de chamar a atenção para alguns aspectos muito interessantes:

    1) Até o dia em que entreguei a minha gigantesca resenha, eu não sabia que “O Girassol” havia concorrido (e saído vencedor) no Prêmio Sofia. Muito menos eu sabia quem eram os outros concorrentes nessa premiação. Se eu fosse um jurado do Prêmio Sofia, não teria classificado “O Girassol” pelos motivos expostos na minha resenha aqui no Gauchão e, muito embora não conheça a maioria dos livros que concorreram, li outros dois concorrentes que, na minha percepção, são melhores: “Mar quente” e “Fora do lugar”. Mas vejam como são as coisas: os jurados do Prêmio Sofia são 3 pessoas que eu, particularmente, considero como “monstros sagrados” do primeiríssimo escalão das letras gaúchas. De certo modo, então, eu, um rapazote do 83º escalão das letras gaúchas, me posicionei de maneira diversa à desses 3 grandes nomes – reparem na ousadia! Até por isso, considero que foi muito bom eu não saber de nada acerca do Prêmio Sofia até ter escrito minha resenha, senão poderia me sentir intimidado.

    2) Podemos, então, afirmar, no mínimo, que “O girassol” é um concorrente bastante polêmico aqui no Gauchão – ou seja, seu desempenho, doravante, merece ser acompanhado de perto. No dia 16 de agosto, o Milton Ribeiro vai apitar o jogo entre “O girassol” e “Cris, a fera”. Essa será mais uma bela oportunidade para refletirmos sobre esta obra (confesso que, cá com meus botões, estou muito curioso para ler as considerações do Milton sobre o livro). Aliás, eu acredito que, na disputa com “Cris, a fera”, “O girassol” deve passar à próxima fase; ou seja, teremos ainda mais pessoas resenhando “O girassol” e, quem sabe assim, poderemos buscar mais subsídios para responder a essa intrigante pergunta: trata-se de um time digno de primeiro lugar em campeonato ou de um time de pernas-de-pau? Em última análise, o veredito caberá a cada um dos leitores que, penso eu, com opiniões tão díspares e tanta polêmica no ar, devem estar curiosíssimos pela leitura.

  16. Luiz disse:

    Maurício Saraiva é gremista, qualquer um sabe. Uma vez, tenho testemunha, o Inter ganhava de três a zero e já havia uns vinte minutos do segundo tempo, quando o narrador perguntou: “Maurício, o jogo está definido?”. Respondeu o comentarista da RBS – que, admito, fala bem e é didático, parece nosso árbitro – “já vi muito time estar ganhando com este placar, perder a concentração e deixar o adversário virar.” No final, com a cara-de-pau de quem previu o que o polvo Paul não seria capaz, disse, “pois é, mesmo correndo perigo, o Internacional conseguiu segurar a duras forças o placar de 3 x 0, mais por erros do adversário do que por méritos seus.”

    Começa o árbitro do 11º jogo do Gauchão de literatura: “Essa característica já me fez, de antemão, simpatizar com a proposta do livro, pois sempre enxerguei com desconfiança essa tendência pós-moderna de encurtar os textos a qualquer custo, acreditando que, desse modo, necessariamente, ganharão força. ” Termina a súmula com a seguinte frase: “Dada minha impressão inicial, nunca imaginei que assistiria à vitória de Minicontando. Mas a literatura, assim como o futebol, é uma caixinha de surpresas.”

    Declarar surpresa é declarar preferência, meu caro árbitro!
    Mas nem tudo que o árbitro-comentarista diz é sem sentido. “Dentre os 100 minicontos que compõem o livro, os melhores são justamente aqueles que escapam da anedota fácil e flertam com a poesia (se ele não conhecia, apresento: esta é Ana Mello!), isto é, aqueles que condensam imagens, ações, dramas e sentimentos em um mínimo de palavras. Talvez o mais emblemático exemplo, e que vale a pena aqui reproduzir, seja o miniconto Um amigo: “Costumávamos caminhar nos trilhos do trem, lado a lado. De longe, o barulho, e o tremor sob nossos pés, até chegar bem perto. O apito. Saltávamos cada um para um lado. Um dia ele caminhou sozinho e não quis ouvir.” – essa é uma “mini” obra-prima. Há outras no livro de Ana Mello.

    Mesmo que tendencioso com relação aos dois diferentes estilos literários, confesso que o árbitro-comentarista, no começo do seu julgamento, me fez ter vontade de ler o livro do Marco. Fiquei com vontade de ler, mas não é mais necessário. O “árbitro-um-pouco-avesso-ao-que-é-conciso” em sua súmula, já nos fez o favor de transcrever a metade do livro. De graça…

    Gol contra na visão do juiz. Ana Mello chutou em gol, direto e acertou na gaveta. Não usou de efeito, nem precisou da simpatia do árbitro.

  17. Angela disse:

    Assino embaixo do comentário do Luiz Paulo Faccioli.
    Há que aprender que se pode fazer concisão sem castração.
    Parabéns Ana Mello.
    Como sempre, o tempo, o senhor da concisão, dará a última palavra.

  18. Laura Sica Gastaud disse:

    Adorei O girassol na ventania, um ótimo livro. Recomendo por ser muito bem escrito. Os contos prendem a atenção do leitor do início ao fim. Simplesmente, não conseguia largar o livro antes de terminar. Também li os livros do Jacobsen e adorei; por isso, me admiro dele não ter visto as qualidades do Girassol.

  19. Rafael Bán Jacobsen foi meu aluno de oficina aos 15-16 anos, e também meu aluno secundarista no Colégio Leonardo da Vinci. Marco De Curtis foi meu aluno de oficina, na Palavraria, por vários anos. Como “preparador físico” dos dois, me sinto muito gratificado pelo “desempenho” de Marco, e pela “marcação cerrada” do Jacobsen. É isso aí, meninos, é assim que se “joga”. O bom na “Copa da Literatura” é que os “erros” da partida podem ser refeitos. A vida não tem uma segunda edição; a literatura, sim. Na segunda edição, Marco pode levar em consideração a eficiente e cuidadosa análise de Rafael.

    Abraço aos dois, e ao Rosp, que tornou tudo isso possível, já que é o editor dos dois, tanto do Marco quanto do Rafael.

  20. MORALES disse:

    Achei super corajosa a resenha do árbitro Rafael Jacobsen.
    Em que pese a subjetividade, está muito bem explicada.
    Não concordo em alguns pontos, o que, me parece, normal. O concurso Sofia deu a vitória ao livro melhor pontuado naquele certame, e não foi por acaso. Mesmo assim, aquele ganhador não está “a salvo” das críticas. Há, no entanto, em face da contudência, algumas expressões que fora do contexto soariam como ofensivas, tais como: “tropeçar nos cadarços das próprias chuteiras”. Penso se tratar de comentário que tinha por objetivo descontrair o todo, fazer uma alusão ao futebol, etc… Sei que o Marco vai matar no peito, deixar escorrer pela coxa e colocar o pé em cima da crítica, opa, da bola, e aproveitar o que ela tem de melhor.
    Quanto aos minicontos, particularmente, acho que são muito difíceis de serem produzidos e acho o livro da Ana Mello excelente. Daí, talvez, a dificuldade do árbitro, em razão dos estilos absolutamente distintos, o que pede uma análise diferenciada para cada um. Creio, ainda, que o CGL mostra-se ainda mais interessante e alcança os seus objetivos. Vou continuar acompanhando as pelejas com ainda mais curiosidade.

  21. Rafael Bán Jacobsen disse:

    Poxa, pessoal!
    Eu não ia escrever mais nada por aqui, mas deixar uma resenha escrita por mim com exatamente “24” comentários é sacanagem, né?
    Hahahahaha!
    Com esta bobagem, contabilizamos, então, 25.
    Ufa!

  22. Ricardo Koch Kroeff disse:

    Grande crítica! De gente grande. Respeitou o livro. Aprendi algumas coisas aqui.

    Abraços e parabéns pela iniciativa do Gauchão. Enfim a literatura pára de limitar sua criatividade à parte de dentro dos livros.

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