JOGO 18 – Escuro, claro x O homem perplexo

JOGO 18
(2º jogo do Grupo 9)

Escuro, claro,
de Luis Augusto Fischer (L&PM / 2009)
x
O homem perplexo,
de Edgar Aristimunho (Dom Quixote / 2008)

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JUIZ
Christian David
– Nasceu em Porto Alegre em 1972. É biólogo, escritor e leitor voraz. Tem encontrado a sua maior voccação na literatura voltada para crianças e jovens. Apaixonado também por futebol, não podia deixar de participar deste encontro histórico.

O JOGO

Fiz a análise, ou melhor, apitei a partida entre O homem perplexo, de Edgar Aristimunho, e Escuro, claro, de Luís Augusto Fischer, dois livros de contos, como todos os participantes deste campeonato.

Apesar dos critérios serem bem claros (a regra é clara), as análises são subjetivas, e os lances passíveis de interpretação e pontos de vista. Este árbitro apitou segundo seus gostos pessoais.

Como primeiro critério de análise, devo dizer que a apresentação, o projeto gráfico, o livro como objeto, não me causou impacto ou chamou a atenção em nenhum dos dois casos . O homem perplexo ficou indeciso entre o tradicional formato 14x21cm e aquele maior conhecido como americano, resultando num tamanho intermediário que não se encaixa na biblioteca. A capa apresenta uma sugestão interessante, mas que não conseguiu ir adiante. Além disso, nada mais de diferente, com exceção da fonte usada nos títulos dos contos, que não me agradou. Escuro, claro adotou o 14x21cm, e a capa, sugestionada pelo nome da obra, ficou na obviedade do jogo das palavras com o preto e o branco quando se podia pensar em algo mais elaborado, aproveitando-se do fato de que a questão custo não parece ser limitante, visto que existe uma bonita aplicação de verniz sobre as letras do título, algo que encarece o livro. Todo o resto do projeto é tradicional, o que não é demérito para a obra, mas que também não colabora para se achar o livro mais bonito como objeto.

O homem perplexo parece-me ter uma unidade temática bem definida, apesar de dividida em cinco partes ou seções, os contos trazem certa melancolia, um sentimento de desesperança, de perplexidade, em combinação com o título da obra. Em Escuro, claro, não senti essa mesma unidade, o próprio autor entrega o jogo nesse quesito quando diz na introdução que a unidade do livro é ele, é isso que os contos têm em comum. Apesar de se poder dizer que isso é uma bola fora, não influenciou em nada o resultado do jogo. O nome do livro é o de um conto, e não é um dos melhores.

O homem perplexo é um livro de contos curtos, percebe-se o trabalho com a palavra, com a elaboração das sentenças em busca da melhor apresentação, da melhor solução literária. Ainda que, algumas vezes, a estética ou forma não torne mais interessante um conto que tem pouco a dizer. Apesar disso, é prazeroso perceber o autor empenhado nessa busca tão necessária. Destaco positivamente os contos Boas maneiras, Ferro-velho (emocional) e Na ferragem, pelos quais concedo um gol. Em alguns contos (uns poucos), houve uma tentativa um tanto desajeitada, na minha avaliação subjetiva, de introduzir elementos fantásticos, e esses destaco negativamente.

Percebe-se, em Escuro, claro, uma fluidez mais agradável no texto, apesar de também a busca pela estética ideal certamente ter sido exercida, isso não fica tão evidente, talvez em virtude de um maior tempo de estrada literária do autor. Destaco positivamente os contos Acaba o estágio, Entrevista: um pós-conto, As fotografias, Cidade grande e os quatro contos da seção A bênção de Machado de Assis, com muita ênfase nesses últimos, um gol para os primeiros e dois para esses quatro finais. Acredito que foi intenção do autor utilizar alguns contos para debater o próprio processo de criação, coisa que nem sempre agradou a este leitor. O conto (conto?) Esparsos: notas para futuros contos e outros escritos, ainda que interessante, não considerei apropriado para compor o livro.

Encerro minha participação ressaltando que são dois bons livros de contos, sendo que o segundo foi mais ao encontro dos anseios e agrados desse leitor.

PLACAR
Escuro, claro 3 x 1 O homem perplexo

VENCEDOR
Escuro, claro, de Luis Augusto Fischer

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2 respostas para JOGO 18 – Escuro, claro x O homem perplexo

  1. Claudio disse:

    Confesso que gostaria de ter lido mais extensivamente sobre os dois livros. Não li o de Fischer, mas li contos que estão em Escuro, Claro, participantes de outros livros. As sugestões de contos – que aparecem já no primeiro livro dele, O Edifício do Lado da Sombra – não são contos, é claro, bem detectado pelo árbitro… Parece-me que lhe falta naturalidade, que fazer ficção não é genuíno, mas afetado (do tipo que leu muito e quer tentar). Como se não funcionassem muito bem, em geral. Gosto de um conto que virou curta, A Peste da Janice.

    • JLM disse:

      vai ver q é pq os comentaristas aqui tendem a ser bons leitores. daí, tamanho é documento, no bom sentido, claro, pois qto + se esmiuçar uma obra, seus detalhes, seus erros & acertos, + material temos para discussão ou mesmo para decidir se iremos ler tal & tal livro ou ñ. confesso q as resenhas + longas, desde q com conteúdo, são as q + me atraem.

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