JOGO 7 – Bolero de Ravel x Imortal

JOGO 7

Bolero de Ravel,
de Menalton Braff (Global / 2010)
x
Imortal,
de Anderson Santos (Editora 21 / 2009)

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JUÍZA
Lu Thomé
– É uma das organizadoras do Gauchão de Litetatura e da Copa de Literatura Brasileira. É jornalista e leitora, e uma das editoras da Não Editora. Atua como assessora de comunicação. No twitter, está em @luthome.

Ao ler os dois concorrentes do Gauchão que se enfrentam nesta partida, duas referências me foram constantes. De um lado, o caçador de monstros Van Helsing e toda a simbologia das cruzes, alho, água benta e dos sugadores de sangue. Adentrei o território de Imortal, de Anderson Santos, pensando em Bram Stoker e no quanto os vampiros mudaram desde então. Do outro lado, a leitura do oponente me trouxe a lembrança de O filho eterno, de Cristovão Tezza, livro que ganhou muitos prêmios há poucos anos e me impressionou. Mas que me pareceu autobiográfico demais se comparado a este Bolero de Ravel, criado por Menalton Braff. Dois livros em que os defeitos, mesmo que existam, são anulados pelas qualidades. É com esse espírito que entro em campo.

No critério para decidir o primeiro livro a ser lido, os dois títulos me decepcionaram um pouco. Em Imortal, a primeira capa não me chamou a atenção e o texto da quarta capa é confuso, embora forneça a sinopse da história. Não gostei de encontrar na primeira orelha um texto similar demais ao da quarta capa. Me pareceu falha de editor repetir o conteúdo, alterando somente poucas frases. Mas a biografia apresenta um escritor engajado no tema (e que se realmente encontrar um vampiro qualquer dia, me avise. Gostaria de saber).

A capa de Bolero de Ravel é mais interessante, embora simples. Não gostei do trecho da quarta capa. Enigmático demais para quem está tendo um primeiro contato com o livro. Acho que não ajuda a vender o título, e isso é um problema. Já os textos das orelhas ressaltam toda a experiência e os prêmios conquistados pelo autor e trazem uma sinopse que despertou minha atenção.

Decidi iniciar pelos vampiros. Comentários prévios feitos, vamos à partida.

O jogo

Imortal, de Anderson Santos, conta a história de Hector Szadkoski, último sobrevivente de uma família de caçadores de vampiros. Ele mora em Porto Alegre e trabalha como antiquário (vendendo muitas das peças coletadas nas mansões dos vampiros depois de suas mortes). É casado com Dayanna e tem como principal objetivo de vida matar Hinterholz, último de um clã de vampiros e responsável pela morte de sua mãe. A meta, cumprida logo nos primeiros capítulos, acaba por revelar o verdadeiro desafio que o caçador terá de enfrentar: Hinterholz, antes de morrer, anuncia ter criado uma nova espécie de vampiro, que não poderá ser morto e que o vingará: o Imortal do título. Com o novo desafio imposto, Hector passa a varrer os jornais em busca de pistas sobre o local onde esse vampiro se esconde. E muitas evidências acabam o levando a São Sebastião do Caí, onde alguns assassinatos misteriosos ocorreram, animais estão aparecendo mortos em fazendas e há um surto de anemia entre a população de baixa renda. Dayanna o acompanha na jornada.

Anderson Santos escreveu um livro a serviço dessa história. Os capítulos são divididos em subcapítulos, criando, na minha opinião, algumas quebras desnecessárias (pois são numerosas). A viagem e os obstáculos enfrentados pelo casal são o foco principal, e o autor não desenvolveu os personagens psicologicamente, mantendo sua força narrativa na ação. Levando em conta que é sua estreia na literatura, Anderson traz um enredo interessante e sabe conduzir essa ação até o final do livro. No entanto, é nos detalhes que ele acaba pecando. E geralmente por excesso.

O principal problema está no narrador, todo o tempo em terceira pessoa, onisciente, mas que alterna seu estilo para alguns estados de mais ou menos neutralidade. Em alguns momentos, ele é neutro, contando simplesmente o que acontece. Mas, em muitas cenas de ação, ele acaba relatando as ações e pensamentos de determinado personagem, para contar mais detalhes. E, no parágrafo seguinte, conta os mesmos detalhes sob o foco de outro personagem. Isso não gera problemas no entendimento do livro, mas demonstra uma escolha pela maneira mais simples de contar, como se adotasse uma fórmula cinematográfica, onde “o texto conta o que câmera vê”. Acho que o narrador poderia encontrar uma voz própria e única. Isso faltou.

Outra coisa que me incomodou foi que, na maioria das vezes, é o narrador, e não o marido, quem chama Dayanna pelo apelido (Daya). Isso só acontece com essa personagem, e não tem justificativa no decorrer do livro. E, em muitos finais de subcapítulos, o narrador apresenta um artifício similar para anunciar reviravoltas ou obstáculos. Frases que não dizem nada e que parecem se repetir ao longo do livro. Como nas páginas 16 (“E quase tudo aconteceu conforme o previsto”), 18 (“E foi quase assim que aconteceu”) e 27 (“Nada o prepararia para o que enfrentou quando encontrou Dayanna”).

Além disso, especialmente no início do livro, Anderson tem uma preocupação exagerada com a descrição de alguns objetos, fazendo com que, por vezes, pareça o texto de um anúncio, e não literatura.

Hector dirigia uma caminhonete Toyota Hilux SRV Automática 4×4 2006 Preta e, após sacar o montante, depositou-o no compartimento secreto que instalara sob o assento traseiro da mesma.

Só faltou dizer a cotação na tabela FIPE, o estado do veículo e o telefone de contato.

Mais adiante, é a vez da câmera fotográfica: Junto à gaveta de sua mesa de trabalho pegou uma câmera digital Mirage Premium 3.0 megapixel com dois pares de pilhas recarregáveis e um carregador bivolt, e um binóculo. Nos dois casos, são detalhes excessivos, que não fazem a menor diferença para a narrativa e poluem o texto. Ainda nas descrições, quando lemos sobre uma construção arquitetônica magnífica (como quando Hector fala sobre a igreja da matriz em Porto Alegre), o objetivo do autor deve ser passar sensações, visões, tudo o que possa demonstrar que se está junto do personagem naquele local. É o velho “contar, não mostrar”. E que, como na cena abaixo, Anderson não consegue escapar da narração quase burocrática e cheia de informações.

O santuário possui oitenta metros de comprimento com quarenta e sete metros de largura nas absides laterais. Apesar de projetado em 07 de agosto de 1921, tendo sua primeira missa celebrada a descoberto em 01 de janeiro de 1922, só foi realmente construído e inaugurado em 10 de agosto de 1986, após a instalação de uma cúpula de 65m de altura e 48m de diâmetro.

Eu sei o que senti a primeira vez que entrei na Catedral Metropolitana de Porto Alegre. E o que Hector sentiu? O que ele viu? Números nas paredes dizendo suas dimensões?

Anderson Santos precisa desenvolver mais os personagens, tanto em suas ações quanto descrições, e evitar a narração enciclopédica. O importante é contar o que é essencial para a história. O restante, que não vai contribuir e pode distrair o leitor, não interessa e deve ser descartado. Como no exemplo abaixo.

Quando chegaram ao quarto alugado encontraram Zé Adão dormindo. Hector foi diretamente ao banheiro – tinha bebido muito água – e foi substituído por Dayanna assim que de lá saiu. Só então concordaram em acordar o mais improvável aliado.

Hector e Dayanna são humanos, precisam comer, tomar água, ir ao banheiro, fazer sexo. Mas, literariamente, não é descrevendo uma cena em que eles vão ao banheiro fazer xixi que eles se tornam mais importantes ou relevantes como personagens.

Terminando este primeiro tempo da partida, engana-se quem pensa que, a essa altura, Imortal não fará nenhum gol. Anderson Santos sabe contar uma história. É um autor iniciante e ainda tem um longo caminho pela frente. Não sei se permanecerá na temática vampiresca. Mas tem um talento bruto literário, que só precisa ser lapidado com muita leitura e trabalho textual.

O concorrente Bolero de Ravel não poderia ser mais diferente de Imortal. Narrado em primeira pessoa, apresenta o conflito do livro ao leitor logo de cara. Os pais de Adriano e Laura morrem em um acidente de trânsito. Sozinho na casa, ele passa a viver de lembranças e delírios, aguardando o retorno da irmã mais nova, advogada, casada e com uma filha. Quando ela volta, parece ressentida e zangada, e logo expõe os planos: quer que Adriano cuide da própria vida, pois a casa precisa ser vendida.

Nas primeiras páginas de Bolero de Ravel, o leitor já tem contato com uma prosa conduzida por um maestro experiente. Menalton Braff não usa todas as notas de uma vez. Como em um quebra-cabeça, o leitor vai entrando na vida dessa família e descobrindo peças que revelam o verdadeiro drama. Inevitavelmente, para explicar o livro, meu texto precisará contar com alguns spoliers. Faz parte. Mas asseguro que saber dessas informações não tirará o prazer e a surpresa da leitura.

A orelha de Bolero de Ravel apresenta Adriano como um homem de 35 anos que não cresceu. Vive como um adolescente, o tempo todo em casa, ouvindo música, especialmente o Bolero de Ravel. E um dos grandes méritos do autor foi trazer a história a partir dos olhos desse personagem. É através de Adriano que sabemos o que acontece (a morte dos pais, o velório, a agressividade da irmã, o abandono). A narrativa é marcada por algumas repetições (que me incomodaram no início, mas que se mostraram essenciais ao longo do livro) e por uma extrema fragmentação. Adriano conta sobre o presente, lembra de situações passadas, comenta sobre suas expectativas e, às vezes, traz episódios tão surreais que só poderiam ser fruto de alucinação. Ele só dorme, não come, quase não toma banho. Sente-se deslocado numa casa onde até os móveis parecem hostis, sem a presença acolhedora e a proteção constante da mãe. Relembra as atitudes enérgicas e as cobranças do pai. Repete exaustivamente que não tem inveja da irmã, porque não tem metas de vida como as delas. Para ele, bastar viver. E ouvir música.

Através das interações com outros personagens, das suas lembranças e delírios, tudo misturado e sem ordem de cronologia ou importância, o leitor vai se deparando com uma mente perturbada e solitária. É em cenas sutis – que pouco revelam, mas, ao mesmo tempo, mostram a situação dramática em que ele está envolvido – que sabemos um pouco sobre Adriano.

Quando pedi ao balconista um copo de leite gelado, ele me atendeu com sua rapidez. O alívio vem chegando e não consigo mais pensar na dor física, pois eles, os empregados e os fregueses da padaria, querem que eu conte como é, então, que foi tudo. Não quero falar porque é sentir novamente a mesma dor. Peço pão e leite e quero voltar ao sol da rua, mas o dono da padaria, por trás do vidro, me retém aqui parado, o troco na mão que não se decide. Ele também quer saber como é, então, que foi tudo. Falo o que sei e minha garganta começa a inchar, trancada, até que tenho que esconder o rosto onde deslizam lágrimas sem pressa. Todos param dentro da padaria para contemplar meu sofrimento. Me parece que eles querem sofrer comigo. Lá de dentro chega a mulher do padeiro enxugando os olhos no avental.

Pela metade do livro, tudo começa a ficar mais claro e, por isso, o drama de Adriano e o conflito ficam ainda mais dramáticos. É por esse motivo que escrevi no início do texto que Bolero de Ravel supera O filho eterno. A temática é a mesma. Mas Tezza traz os desafios e as preocupações de um pai ao cuidar de um filho com Síndrome de Down. Braff não explicita qual o problema (imagino que possa ter ligação com deficiência mental) que Adriano tem. Não importam os diagnósticos ou terminologias, ou o que é realmente verdade ou delírio. É a partir da visão de Adriano que o leitor se dá conta de que existe um mundo cruel e árido que ele não pode e não quer enfrentar. Superprotegido pela mãe, ele contava com a atenção dela para tudo. Se alimentar, tomar banho, lembrar das coisas mais básicas do cotidiano. O pai e a irmã sempre exigiram comportamentos e atitudes dele, parecendo eles, sim, os limitados: deficientes de amor, de compreensão, de solidariedade. Sem a mãe, Adriano está sozinho. A irmã demite a empregada e espera os meses passarem, até que a situação se torne insustentável e ele seja declarado incapaz.

Adriano conta sobre suas dores, sua vontade de dormir sem parar, sua primeira experiência sexual (quando os pais e a irmã tinham saído de viagem), sua relação com o mundo quando ajuda um mendigo de rua que queria um cigarro. É uma voz autêntica, verossímil, que envolve o leitor e não dá margem para dúvidas em relação a nada do que está sendo contado. Narração muito bem conduzida. Como nos trechos abaixo.

Seu rancor começava pelos olhos que me anulavam, e o rancor, a qualquer hora do dia, era porque eu não quis reproduzir em mim suas marcas úmidas. Seu desejo de perpetuidade amoleceu com minha decisão de não ser ninguém. Isso me diziam sempre seus olhos que me anulavam. Contentou-se em fazer da Laura sua continuidade? Não sei, não tenho como saber, principalmente agora, que eles são apenas duas ausências. Mas acho difícil que tivesse aceitado a substituição tranquilamente. Machista nenhum se sente confortável num corpo de mulher. Por que será que ele guardava tanto papel nessas gavetas? Vontade de botar fogo nisso aí tudo como um dia botei na máscara que ele moldava por cima do meu rosto.

Se eu morresse agora, seria uma morte feliz porque imperceptível.
A única coisa que temo é a dor e o sofrimento. Olhos fechados. A música. Me desfaço da consciência. Sem existência o tempo não flui.

É um romance profundo como um lago, que não entrega senão poucas cenas, nuances ou ondas em sua superfície. É ao leitor que cabe imaginar e interpretar o que existe no fundo de todo esse volume de água. São camadas e mais camadas de uma mesma história que só revela o que é essencial para a compreensão, sem clichês ou excessos. Um livro e tanto.

Pelo foco narrativo, pela execução do livro e pelo desenvolvimento primoroso do personagem Adriano, concedo três gols a Bolero de Ravel.

PLACAR
Bolero de Ravel 3 x 1 Imortal

VENCEDOR
Bolero de Ravel
, de Menalton Braff

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26 respostas para JOGO 7 – Bolero de Ravel x Imortal

  1. xexenesky disse:

    “Só faltou dizer a cotação na tabela FIPE”.
    MORRI

    • Luiz Paulo Faccioli disse:

      Talvez seja uma novíssima escola com a qual ainda não estamos acostumados: realismo tecnológico.

  2. Sério. Essa partida entre um livro de terror com vampiros e um drama familiar tá bem parecida com um jogo entre um time de basquete jogando basquete em uma quadra de basquete e um time de pólo aquático jogando pólo aquático em uma piscina… Nada, mas nada em comum entre uma coisa e a outra.
    Tremenda encrenca, hein, Lu?
    Se me colocam julgar um troço desses eu “peço pra sair”, bem rapidinho, hehehe.

    • Luiz Paulo Faccioli disse:

      Mas a Lu é uma juíza que não se acovarda diante de uma reles dificuldade. Parabéns pela resenha!

      • Lu Thomé disse:

        Fabian e LP! Não chegou a ser uma encrenca. Confesso que me diverti com as duas leituras. E, como elas não tinham nada em comum, o jogo ficou literalmente na mão do juiz. 🙂

        • Tá, mas e o que acontece se o romance jogador de basquete tentar encestar uma bola na goleira do pólo aquático? Vale 1 ou 2 pontos? )=)

          (Fabian saindo de fininho, antes de tomar uma bolada…)

    • Nada a ver. Acho que a Lu deixou a premissa bem clara no início: ela sentou para ler “Imortal” tendo como referência do gênero “Drácula” (que sempre é referência neste caso), ou seja, um grande livro, bem escrito e com uma premissa genial na segunda parte do romance: o personagem título quase não aparece e de qualquer maneira só se sabe o que ele pensa através do que ele diz a um dos protagonistas na primeira parte do romance. Depois disso, Drácula é o que faz, não o que discursa. O que a Lu aponta em “Imortal” são os descompassos do texto em si mesmo. Não se está dizendo se um livro é melhor do que o outro porque pertence a um gênero, mas se está melhor escrito. Acho que nós, escritores de literatura fantástica, temos de parar de nos refugiar nesse discurso de que nossos textos são “diferentes” porque tratam de um tema que extrapola a realidade para nos justificarmos. Literatura é literatura. Extrapola sempre a realidade, porque precisa reiventá-la para ser o que é. Um escritor que descreve o pensamento de diferentes personagens já está passando doas limites o real, mesmo quando escreve algo “realista”, porque está dando ao leitor “poderes telepáticos” para mergulhar no interior dos personagens. Mas já que a Lu falou que “Terminando este primeiro tempo da partida, engana-se quem pensa que, a essa altura, Imortal não fará nenhum gol. Anderson Santos sabe contar uma história.” ela bem que poderia ter citado uma frase acertada do autor, pelo menos. Na crítica, os destaques foram para os tropeços…

      • Lu Thomé disse:

        Concordo contigo, Simone! Acho que classificações de gênero não podem defender nem condenar previamente um livro. Literatura é literatura. E, realmente, foi uma falha não me preocupar em destacar um trecho acertado de Imortal. Acabei indicando que a história e a ação foram bem desenvolvidas. Mas aproveito para corrigir isso. Uma das coisas que acho mais complicadas é a primeira frase de um livro. E esse tom Anderson acertou. E acho que é essa linha que ele pode explorar em um futuro romance.
        “Até a escuridão tem o cheiro do demônio, pensou Hector Szadkoski quando abriu a porta que dava para o porão da velha mansão.”
        O sentido da frase é inusitado, e abre muitas possibilidades.

        • Oi Lu! Ah, sim, agora gostei, bem instigante. A partir de uma frase com essa a gente pode ir fazendo uma ideia do que vem pela frente. Brrrr!
          Primeiras frases são fundamentais. Se elas cativam o leitor, o livro não tem de “fazer força”. Um abraço!

  3. Sharon disse:

    Eu não entendi foi o Bolero de Ravel. Hein?

    Porque diabos um ser vai ouvir essa música específica? 35 ano, que não cresceu, vive como adolescente e ouve Bolero de Ravel? Poutz, tinha que ser Vento no litoral.

    • Sharon disse:

      Não, né. Porto Alegre, gente. Tinha que ser Deserto, do Nenhum de nós.

      • Talvez porque uma das virtudes do bom escritor seja a de não ser óbvio.

        • Lu Thomé disse:

          Sharon, não é Porto Alegre. Imortal se passa na capital gaúcha, mas Bolero de Ravel não. Em todo o caso, concordo com o que o LP disse: seria clichê utilizar a solução mais fácil, ou comum. E é um dos méritos do livro vencedor.

  4. Interessante. Em outro romance de Menalton Braff o protagonista também se chama Adriano, A Muralha de Adriano. E o tratamento do autor para o problema mental do personagem, pela descrição que fizeste, Lu, me lembrou de certo modo a estrutura do Spider, do Patrick McGrath. Já leste? É mais ou menor por aí?

    • Lu Thomé disse:

      Carlos André, essa foi minha “estreia” em Menalton Braff. Não li os livros anteriores dele. E também não li Spider. Mas pelo que pesquisei na Web, a estrutura pode ser similar. Mas o enfoque de Bolero de Ravel é um pouco menos “desesperado”. É uma linha tênue que vai levando Adriano ao seu fim. E na narrativa sua situação é mais sutil, do quanto ele é problemático ou do quanto efetivamente as pessoas têm pena dele (porque é somente a partir dele que sabemos sobre tudo). O personagem Dennis Cleg me parece mais estranho e desesperado (e vai se transformando num casulo, é isso, né? Me interessei. Vou procurar esse livro). Confere?

      • Lu Thomé disse:

        Ah! Eu vi Spider, o filme. O clima de Bolero de Ravel é, definitivamente, menos angustiante.

  5. Eu vou dar minha opinião.
    A crítica foi muito feliz. A vitória foi acertada. Acho que o juiz até deu uma roubadinha no placar para evitar uma goleada ainda maior.
    Sou o autor do Imortal.
    Acho que não é o gênero que afasta tanto os livros, mas o alvo.
    Imortal é um livro infanto-juvenil, pensado para esse novo leitor adolescente que não se prende muito tempo na mesma informação (motivo dos subcapítulos curtos) pensado pedagogicamente (motivo das descrições de cenário) para ser trabalhado com estudantes do final do ensino fundamental (o que vem sendo feito em escolas do RS e pode ser visto no blog http://imortal-anderson-santos.blogspot.com).
    Colocá-lo para jogar o Gauchão foi uma decisão difícil, pois eu mesmo não teria dado a vitória a ele. Mas foi uma decisão pensada, pois independente da crítica (que, repito, foi muito bem feita) o mais importante era oportunizar espaço a literatura juvenil.
    Obrigado Lu, pelo carinho e dedicação.

    Agora é seguir acompanhando o campeonato!

    • Lu Thomé disse:

      Oi Anderson! Fico feliz pelo teu comentário. Duplamente. Por trazer a experiência do teu livro e por aceitar se apresentar como autor do Gauchão. 🙂

      Sei que não é fácil para um autor participar de um projeto como esse. Mas aproveito para te dizer que o gol foi legítimo. E, pela condução da história, fica evidente o motivo pelo qual Imortal deve despertar o interesse dos leitores jovens. Tem conflito, tem ação, tem uma boa condução. Espero poder continuar contando com a tua torcida e comentários por aqui!

    • Anderson,
      não conheço ainda teu trabalho, mas tens desde já minha admiração por tua postura. Não é fácil para qualquer autor dar a cara a tapa e reconhecer a supremacia de um adversário. Se eu pudesse, te daria mais um gol por esse teu comentário.
      Muito sucesso, mereces!

  6. Djegovsky disse:

    “”Junto à gaveta de sua mesa de trabalho pegou uma câmera digital Mirage Premium 3.0 megapixel com dois pares de pilhas recarregáveis e um carregador bivolt, e um binóculo.”

    Serio, isso foi um dos trechos mais engracados que ja li.

  7. noia kern disse:

    Oi Anderson,
    como assessora literária para assuntos de leitura e feiras de livro te conto que já vou procurar conhecer teu livro, pois há carência de obras pensadas e planejadas para atender ao gosto do jovem.
    Que bom que vc deu a cara a tapa…
    noiak

  8. Djegovsky disse:

    Posso ser meio conservador, mas acho que estimular o consumismo nao e’ algo la’ muito interessante de se fazer com jovens escolares…

    • Caro Djegovsky, e vc quer que eles comecem a ler como? Direto com Kafka e Dostoievsky?

      Tá cheio de gente por aí que nem sabia o que era ler, até que deu de cara com fenômenos consumistas e marketeiros como Harry Potter e Crepúsculo. Blogs e leitores juvenis aos milhares e milhões andaram brotando por aí, nessa nossa terra semi-analfabeta, derivados dessas e de outras modinhas, evoluindo seus gostos literários conforme ganham experiência em suas leituras.

      Tá cheio de outros consumismos por aí que merecem realmente um desestímulo, como o de drogas, cigarros, bebidas. O consumismo literário me parece um excelente “mal necessário”, caso realmente tenhamos interesse em elevar o nível cultural do país.

    • Bah, sério, o que você quis dizer com isso? Exatamente o que o Fabian respondeu aí em cima?

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