JOGO 23 – O centésimo em Roma x Limites da sedução

JOGO 23

O centésimo em Roma,
de Max Mallmann (Rocco / 2010)
x
Limites da sedução,
de Índio Vargas (AGE / 2010)

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JUIZ
Renan Santos
– Renan Santos é mestrando em antropologia social pela UFRGS. Fã de literatura desde antes de aprender a ler, de vez em quando se arrisca a escrever (e/ou desenhar) as próprias histórias. Frequentou a oficina literária do Assis Brasil em 2010, e terá seus primeiros contos publicados na antologia da turma, a ser lançada pela editora Dublinense em outubro de 2011. Tem twitter (meio abandonado, mas vá lá): @cavernadeplatao

O jogo

Não se deve julgar um livro pela capa” talvez tenha feito sentido numa época anterior à nossa, em que cerca de dois mil títulos são lançados no mercado por mês e, simplesmente, não dá tempo de ler tudo e é imperativo usar algum critério de filtragem. Longe de ser um critério infalível, acaba sendo bastante eficaz no caso dos dois volumes desta disputa.

Não conhecia nenhum dos autores até receber os livros para a resenha. Nenhum dos dois é estreante: Índio Vargas já publicou outras três obras, enquanto Max Mallmann tem pelo menos outras quatro (assinalo esse fato pois minha avaliação sem dúvida seria mais suave fossem ambos iniciantes – como espero que seja a dos leitores desta resenha, sendo eu um resenhista iniciante). Antes de entrar na descrição do conteúdo, descreverei as impressões iniciais que os livros me passaram enquanto objeto.

O Limites da sedução de cara sai perdendo. A capa não é exatamente feia – ao contrário, à primeira vista ela até parece bonitinha, adequada. O problema é que, se não agride, também não atrai – dificilmente eu pegaria para folhear se a visse numa prateleira. Uns 70% da imagem da capa são ocupados por um pedaço de madeira, sobre o qual se encontra o título e o nome do autor. Bem abaixo, sobre a tábua, aparecem cartas antigas, uma margarida, e várias folhas de chá de marcela (?); acima das folhas, vê-se um homem de torso nu, segurando algo que parece uma corda, ou talvez um tecido; não é possível ver o rosto (na verdade, se esforçando um pouco, é possível enxergar uma forma fálica à meia-luz ao invés de um rosto).

Embora o resultado final não seja exatamente feio em termos de composição, os elementos usados nela não parecem estar dialogando. O que cartas antigas, chá de marcela e mãos segurando um pedaço de corda querem dizer? E não só a imagem da capa em si não funciona para comunicar do que se trata o livro, ou atiçar o leitor em potencial a folheá-lo, mas também parece desconectada do título. Claro, um nome provocante como Limites da sedução poderia facilmente resvalar para algo de mau gosto (e a linha que separa o vulgar do sensual é sempre deveras tênue). Contudo, se houvesse algum investimento nessa direção, o livro poderia encontrar melhor seu público.

A capa parece destinada a uma faixa de leitores de idade mais avançada, buscando uma narrativa mais tranquila, dramática, porém sem grandes choques – enquanto o nome da trama sugere algo provocante, uma narrativa que apresente algum tipo de tensionamento em termos de sexualidade (quais são os limites da sedução? Há limites?). Sugere um ou alguns personagens que estão agindo de forma sedutora, e indo além dos limites (se eles não tivessem cruzando esses limites, o título seria outro, talvez apenas “sedução”, sei lá).

Caso alguém tenha ficado intrigado ou curioso o suficiente para tirar o livro da prateleira e olhar a contracapa, vai topar com uma repetição menos criativa da imagem da frente (dessa vez, 95% do verso da obra é tapado pela tábua de madeira, e bem abaixo, um pedacinho é coberto pelas cartas antigas, a solitária margarida e ainda alguns chás de marcela). A falta de criatividade da contracapa já causa algum desinteresse pelo livro, acentuado pelo fato de não vir nenhuma sinopse da trama – e sim um longo trecho do miolo (isso sempre me incomoda – se eu quisesse um trecho aleatório, abriria em qualquer página e leria eu mesmo). Aqui é uma questão muito pessoal, mas quando olho para uma contracapa, procuro encontrar alguma descrição geral da história ou da intenção do autor com o livro, não um recorte do conteúdo copiado e colado. Ainda que seja um trecho excelente, que resuma com brilhantismo do que o livro se trata (dificilmente é), o fato de ser um texto tão grande já me desmotiva a ficar parado em pé na livraria, com o livro na mão, lendo aquele monte de coisas de um autor que eu não conheço dum livro que nunca ouvi falar com uma capa que nem chamou tanto assim minha atenção.

Há que se mencionar uma última impressão ruim que a aparência do livro me causou: a formatação e o tamanho das letras no miolo do livro (gigantes, aos meus olhos), aliada ao tamanho e formato da obra, dão ao conjunto uma aparência de livro infanto-juvenil – que em si não tem nada de ruim, apenas acaba conflitando com o título e com o politicamente correto da capa.

Em resumo: a aparência do livro não ofereceu nenhum elemento que despertasse meu interesse enquanto leitor. Ao contrário: antes de começar a ler, tive a impressão que o faria a contragosto, forçando mesmo, para cumprir com a exigência de analisá-lo nesta resenha.

O Centésimo vai na direção contrária, a toda velocidade: o livro tem aquele tamanho de “literatura séria” (critério de avaliação tosquíssimo, reconheço), tem mais de 400 páginas (algo raro em termos de literatura contemporânea nacional, salvo engano), e a capa é belíssima. A imagem que a compõe (uma estátua de um oficial romano sem cabeça e sem um braço, em cima de um tecido listrado e com uma espécie de selo de pergaminho de pano de fundo), além de encher os olhos, está em diálogo direto com o conteúdo. Difícil não ficar com alguma curiosidade ao vê-la. A contracapa também é bonita, com uma série de frases curtas e objetivas dando uma ideia geral da trama sem cansar o leitor em potencial que não sabe do que se trata – e não só sem cansar, como ainda cativando e convidando a ficar mais uns minutinhos com o livro na mão procurando se ambientar ainda mais.

No fim das contas, não apenas o Limites não faz gol com a apresentação (se eu fosse mais severo, apitaria um gol contra), como Centésimo sai na frente com um golaço aos cinco minutos do primeiro tempo.

Sendo assim, como a criança que se força a comer primeiro o chuchu com agrião antes da batata frita, para que o gosto final na boca seja do que lhe parece mais apetitoso, decido que iniciarei lendo o texto de Índio Vargas.

A leitura flui rápido, pois os capítulos são curtos e as letras são grandes – o que não significa que o livro seja bom. O estilo do autor é informacional e objetivo demais e literário de menos, sem nenhuma frase ou metáfora interessante que dê vontade de reler – muito embora, também não seja nada de atroz, que agrida de tão ruim. A trama é simples e muito explorada na literatura nacional – jovem rapaz do interior tem sua iniciação sexual após ser seduzido por mulher alguns anos mais velha que trabalha em sua casa –, mas isso em si não seria um problema se o autor tivesse sabido conduzir a narrativa de forma interessante, tivesse sabido torná-la sua. Não é o caso – o que é especialmente problemático considerando tratar-se de uma história autobiográfica, na qual o autor descreve sua iniciação sexual com a empregada Maria.

O livro apresenta uma série de problemas; tentarei elencá-los de forma breve:

(1) Péssima revisão – diversos erros de ortografia e formatação (especialmente travessões de fala faltando ou sobrando). Logo de cara, no primeiro parágrafo, encontramos:

A expressão gestual completava a [sic] significado das palavras” (página 15).

(2) Repetições – tanto de palavras (solidão, libido, tempo, natureza, instinto, volúpia, etc.), quanto de informações (o autor conta duas vezes a história das dificuldades de alfabetização de seu irmão Aimoré, informa mais de uma vez o endereço exato da sede do PTB quando menciona que os personagens estão se dirigindo para lá, mesma cena narrada duas vezes de formas diferentes na mesma página [pg. 74], etc.), quanto de ideias (o autor insiste demais em sublinhar a “pureza” da relação sexual “sem malícia” vivida pelos protagonistas) e cenas (o autor abusa do uso do “chupar os seios” durante os atos sexuais).

(3) Péssima caracterização de personagens – vários teóricos apontam esse como o grande problema da autobiografia: não saber se construir como personagem. Em Limites, o protagonista é esse “eu” genérico, de quem nada é dito, pois presumido como óbvio. O autor se resume a descrever-se quando jovem como alguém totalmente passivo às investidas sexuais de Maria, e hoje, adulto, em defender as atitudes da moça na época como ligadas a uma sexualidade descontrolada, porém sem maldade.

Maria, personagem com potencial de complexidade, é descrita da forma mais rasa possível – uma adolescente de 15 anos, órfã de pai e mãe, pobre e muito solitária, dona de “uma libido incontrolável” e “sexualidade infinita”, que usava o sexo com um rapaz ainda mais novo que ela como forma de preencher sua carência afetiva e vazio interior.

(4) Sexo demais, e muito ruim – eu penso que cenas de sexo em literatura poderiam ser usadas em três sentidos possíveis e independentes: (a) espelhar algum aspecto da trama em si (o sexo reforçando elementos da história); (b) caracterização de personagens (o comportamento na cama dizendo algo sobre seus participantes que de outra forma poderia não ficar claro, ou reforçando algo já dito); (c) erotizar o leitor.

Não vejo nenhum problema em ficar apenas no terceiro aspecto; o difícil é conseguir ser eficiente na tarefa. Quem topa o desafio tem que estar consciente dessa dificuldade, e buscar formas criativas de vencê-la. Não é o caso em Limites – as cenas de sexo são todas rápidas demais (não fica claro se é de propósito, refletindo a brevidade do ato, ou se é apenas narração ruim), e descritas de forma muito sem graça, recorrendo aos clichês mais óbvios possíveis. Aqui acho importante apresentar algumas dessas cenas para que os leitores desta resenha julguem por si próprios:

Sentou na cama e suavemente puxou-me para junto de si. Com volúpia, abraçou-me e começou a me acariciar, murmurando palavras que eu não entendia, mas que expressavam estado de êxtase incontrolável.

Todo o corpo de Maria pulsava. As coxas palpitavam num ritmo que explodia na sua sensualidade exuberante. Apertava-me contra seu corpo e pedia que a acariciasse. (página 23)

Ela acariciava meu corpo, até chegar no sexo, mais crescido e com uma leve reação precoce. (…) Beijou-me, apertou-me forte no seu peito largo. Depois me puxou para o meio de suas pernas longas de cor dourada. Agora já não repelia tanto o contato áspero de seus pelos pretos. (página 29)

Ela levantou a blusa para eu chupar os seus seios de adolescente. Ela fechou os olhos para o prazer intenso. Eu, estimulado pela motivação dela, perecia [sic] que eu ia devorar os seios dourados de contato sedoso. Cada vez que fazíamos assim, mais eu me entusiasmava e ela mais gemia e demonstrava o estado de alta excitação e me abraçava como para repousar. Foi pouco o tempo, mas tudo se passou como se fosse um momento mágico. (página 45)

Ainda, um livro em que o objetivo seria se concentrar na erotização do leitor (nem acho que a proposta deste tenha sido essa, mas acaba sendo um efeito inerente a uma história desse tipo) deveria se esforçar mais em construir uma atmosfera de tensão antes de enfim chegar ao clímax. Contudo, não há nada de preliminares: de um fiapo de trama apresentada no capítulo 1 (narrando a descoberta do jovem Índio Vargas que as tábuas do sótão são emprestadas por seu pai às pessoas pobres para construírem caixões para seus parentes falecidos) pulamos para um segundo capítulo em que Maria (personagem até aqui não contextualizada, não caracterizada, presumida como conhecida dos leitores) já parte para o ato sexual com o jovem protagonista, coisa que segue central no capítulo seguinte e em vários outros.

O ponto principal de um livro como esse deveria ter sido a construção da tensão sexual entre os personagens: a chegada de Maria, os primeiros olhares do garoto para ela, o garoto percebendo algo a mais no retorno que ela lhe dava, as primeiras fantasias dele em relação a ela, a concretização dessas fantasias no primeiro momento em que de fato ficam juntos, a descrição mais demorada das primeiras impressões do garoto quanto ao corpo desnudo dela e quanto ao ato sexual em si, o estado emocional do rapaz após a perda da virgindade, a confusão (ou não) do interesse sexual por Maria e o interesse amoroso, a vontade de fazer de novo, a novidade de fazer não só no quarto dele, mas também em público, a possibilidade de ser pego em flagrante tornando tudo mais excitante. Enfim, eram inúmeras as possibilidades de construção da relação entre os dois que o autor não soube explorar.

Agora, o que dizer de O Centésimo em Roma? O livro é ótimo!

Trata-se da história de Publius Desiderius Dolens, centurião romano ambicioso que deseja deixar de ser plebeu e ingressar na ordem dos cavaleiros. O autor compõe todo um quadro da Roma do ano 68 d.C., não deixando nada a dever às inúmeras outras produções culturais ambientadas na cidade eterna. Ao final do livro, há uma seção com 17 páginas de notas nas quais Max Mallmann discorre sobre seu processo criativo e a intensa pesquisa realizada para dar vida ao universo da trama.

De antemão convém aclarar que sou totalmente público-alvo de uma história como essa: fui alfabetizado lendo Asterix e até hoje sou fã de histórias ocorridas nas sociedades clássicas da antiguidade. Não bastasse isso, o livro tem uma série de qualidades, que tentarei resumir a seguir:

(1) É muito bem escrito. A leitura flui com tranquilidade, os diálogos são bons, os personagens bem caracterizados, e há várias frases ou metáforas aqui e ali que chamam a atenção.

(2) A imensa pesquisa realizada para a construção do romance. Se todo escritor deveria pesquisar para dar verossimilhança a seu texto, para um romance de época, maior razão ainda de fazê-lo. Tanto o prefácio quanto a seção de notas ao final do texto (aliás, gosto demais de livros com notas do autor ao final, comentando seu processo de pesquisa e criação) deixam clara a meticulosidade de Max Mallmann em buscar fontes para sua história – o que se reflete na verossimilhança alcançada no texto final.

(3) Foco em trama e não em personagem. Não sei o quanto essa impressão faria sentido num ambiente acadêmico, mas para mim é claro quando um livro enfoca mais a construção da trama do que a construção de personagens (sem embargo do fato de uma coisa estar sempre repercutindo na outra). A literatura contemporânea nacional me parece focada demais em construções das paisagens emocionais de um punhado de personagens, e a trama acaba sendo apenas uma ferramenta para esse fim. Em Centésimo, Max Mallmann faz o contrário: o foco é menos nas repercussões emocionais dos fatos nos personagens e mais na construção dos fatos em si.

(4) A grande quantidade de personagens. O autor não se limita a um protagonista e seu pequeno círculo de relações; ele compõe todo um pequeno universo de pessoas, dando algum colorido a cada uma, por menos importante para a trama que seja.

(5) A quantidade de páginas. Sendo um livro em que um dos objetivos é reconstituir toda uma cidade – e nada menos do que a primeira metrópole –, cheia de protagonistas e coadjuvantes, o autor acabou se estendendo por quase 400 páginas (descontada a seção de notas, que em si possui 17). Isso contrasta muito com outra impressão minha a respeito dos romances contemporâneos nacionais, que parecem estacionados nas 150, quando muito 200. Lógico que quantidade não implica qualidade, mas sempre fico na dúvida: cadê a nova geração escrevendo tijolões de mais de 500 páginas? (Ou, ao menos, ultrapassando as 350?).

Em suma: o Centésimo poderia ser apenas um livro mediano, apenas um texto correto e não infamante, e já seria o suficiente pra vencer Limites com folga. Contudo, sendo um livro realmente extraordinário, gostosíssimo de ler, cheio de qualidades que espero ter conseguido elencar de forma satisfatória, não há outra solução que não uma goleada.

PLACAR
O centésimo em Roma 6 x 0 Limites da sedução

VENCEDOR
O centésimo em Roma
, de Max Mallmann

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17 respostas para JOGO 23 – O centésimo em Roma x Limites da sedução

  1. paulo tedesco disse:

    Que beleza de resenha! Na medida certa e honestíssima. Certamente tentarei ler O Centésimo em Roma. aliás, as observações editoriais servem grandemente a todos que se pretendem autopublicar ou mesmo associar-se com uma editora: temos que observar sempre os aspectos editoriais para que não desapareçamos na massa de novos títulos que todo dia chegam ao mercado. E cabe imaginar se as coisas andam assim com livro em papel impresso em tiragens razoáveis, o que será que nos espera quando o livro digital ganhar massificação? Bom, parabéns ao resenhista, gostei mesmo.

    • Robertson Frizero disse:

      Tedesco tocou num ponto importante: a novidade do Gauchão em solicitar dos árbitros que comentem também o projeto gráfico faz com que se comece a perceber o quanto o objeto-livro convida ou não o leitor a fruir o texto – como bem coloca, aliás, o árbitro Renan Santos nesta resenha.

  2. Robertson Frizero disse:

    A resenha, de tão bem escrita, espirituosa e detalhista, deu-me vontade de ler não só o “O centésimo em Roma”, mas também as histórias escritas pelo árbitro, Renan Santos!

  3. Aline Naomi disse:

    Não conhecia o site. Entrei por indicação do prof. Paulo Tedesco.
    Achei ótima a resenha, com todos os argumentos justificados.
    Concordo que, hoje em dia, a capa tem bastante importância, sim. É a primeira coisa que o leitor vai olhar e, se a capa interessar, ele vai pegar o livro para folhear e, dependendo do conteúdo da contracapa, do texto das orelhas, da impressão geral sobre o livro, talvez decida ler.

  4. Djegovsky disse:

    “A capa parece destinada a uma faixa de leitores de idade mais avançada (…) enquanto o nome da trama sugere algo provocante, uma narrativa que apresente algum tipo de tensionamento em termos de sexualidade(…)”

    Entao quer dizer que pessoas mais velhas NAO TEM libido? Ok, entendi.

    (aquela bobagem gigante sobre “tijolões de mais de 500 páginas” eu nem vou comentar)

  5. “”quela bobagem gigante sobre “tijolões de mais de 500 páginas” eu nem vou comentar)”

    Pois deveria, Djegovsky – isso te elevaria acima da trollagem gratuita que parece ser o teu objetivo nas caixas de comentários e abriria uma discussão literária de fato.

    • Djegovsky disse:

      Eu comentaria teu comentario, mas o uso da ridicula palavra “trollagem” me tirou toda a vontade.

      • A gente usa a palavra que o interlocutor merece – e considerando que tu não tem argumento algum para apresentar a não ser tua ranhetice, meu ponto está provado. Parabéns aos envolvidos e obrigado pela colaboração.

        • Djegovsky disse:

          Hmm, entao quer dizer que se eu achar o livro de alguem uma porcaria mas nao fizer uma critica embasada em criterios objetivos e bem fundamentada esse livro nao pode ser uma porcaria?
          Vou anotar isso quando for criticar a “obra literaria” de certos criticos literarios…

          • Marcos disse:

            A crítica da crítica à crítica do comentário crítico ao resenhista. O foco (os dois livros), me parece que já se perdeu faz tempo, essa discussão não vai a lugar nenhum.

            E regra número 1 de fóruns da internet: não alimentem o troll.

          • O livro pode ser uma porcaria e pode ser ótimo – mas isso jamais será depreendido da tua “crítica”, e sim da crítica de alguém menos preguiçoso e menos disposto à provocação gratuita, que tenha dedicado um tempo para ler e refletir e não para simplesmente pegar o primeiro adjetivo fácil que vêm à cabeça.
            E esteja à vontade para criticar o que quiser – anotando ou não (pelo que se vê de teus próprios comentários, tu ler alguma coisa “anotando” será praticamente um milagre da literatura). Algo que foi “publicado” foi tornado público, e portanto está aí para ser lido e criticado – inclusive os comentários implicantes de gente que sequer sabemos o nome, e sim apelidinhos metidos a espertos.

  6. Marcos Columbelli disse:

    Sou historiador e fiquei muito motivado a ler esse “O centésimo em Roma”. É bom saber que tem gente escrevendo romance histórico sobre o Mundo Antigo aí no RS.

  7. Espetacular resenha crítica sobre esses dois livros. É como deve ser: da capa, passando pelas apresentações, envolvendo o leitor com a resenha e definindo, com objetiva análise literária, as qualidades e defeitos das obras. Em linguagem simples, desprovida do esnobe hermetismo acadêmico, Renan Santos está de parabéns. Eu já era fã do Mallman e fiquei ainda mais fã. Vou ler imediatamente O Centésimo em Roma.

  8. Samir disse:

    Há um ponto que parece que ainda não foi abordado ou compreendido dessa forma, nos comentários, mas que a meu ver é um assunto tangenciado toda vez que um juiz se detém a falar (a pedido da organização) sobre a capa e o projeto gráfico e o papel e qualquer outro detalhe que está além da avaliação do autor (e falo isso como editor e capista): também está se avaliando o trabalho editorial. Há aqui livros que conseguem se erguer acima de um trabalho editorial ruim (erros de revisão, papel vagabundo, capa feia) e livros que são prejudicados por esse trabalho editorial ruim, mas não parece haver mágica editorial que salve livros desinteressantes. Que não se deve julgar livro pela capa, todo mundo sabe que não se deve, mas mesmo assim, numa prateleira de livraria abarrotada de quadrados de papel colorido, cada leitor seleciona visualmente o que lhe interessa com base nos seus conceitos e preconceitos de como é (ou deveria ser) a capa de um livro que potencialmente venha a gostar. E esse é o leitor REAL, aquele que compra livros, lê e recomenda pra amiga do trabalho ou pra mãe, não o leitor acadêmico que tira um xerox e produz um paper que vai abarrotar o escaninho na sala dos professores da faculdade.

    O meu ponto é: todo escritor escreve para ser lido, e para ser o livro ser lido, é preciso que haja um trabalho editorial que qualifique o livro para que possa disputar espaço com cada porcaria chamativa que Dan Brown põe na prateleira. No meu entender, os juizes que avaliam as capas estão prestando um favor ao mercado editorial local lembrando que é preciso fazer mais do que o básico para vender um livro, e aos escritores para exigirem mais de seus editores.

    Creio que os juízes têm o bom senso, claro, de separar uma coisa (a avaliação do livro enquanto produto editorial) de outra (a qualidade literária da obra), mas isso é subjetivo, e eu detesto futebol, por isso não vou fazer nenhuma metáfora futebolística.

    • Robertson Frizero disse:

      O que o Samir coloca aqui é essencial: nós, juízes, que nos preocupamos em avaliar quesitos técnicos da parte editorial do livro, prestamos um serviço à produção local. Os livros produzidos aqui precisam ganhar o resto do país e nisso está também o trabalho do capista, do diagramador, do editor – a disputa por espaço nas prateleiras e no olhar dos leitores é acirrada. E quem nunca se interessou em pegar um livro para folhear por causa de sua capa que atire a primeira pedra.

    • Diego Lopes disse:

      Eu critiquei o julgamento do trabalho editorial, mesmo sendo um fa de capas, pois e’ algo que esta’ fora do alcance dos escritores. Mas, se e’ explicito que o que esta sendo julgado nao e’ somente a obra, mas o livro como objeto, nao vejo problemas, desde que os criterios sejam claros.

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