JOGO 48 – Sinuca embaixo d’água x O centésimo em Roma

JOGO 48

Sinuca embaixo d’água,
de Carol Bensimon (Companhia das Letras / 2009)
x
O centésimo em Roma,
de Max Mallmann (Rocco / 2010)

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JUIZ
Kelvin Falcão Klein – Mestre em Literatura Comparada, faz Doutorado em Teoria Literária. Mora em Florianópolis. Autor de Conversas apócrifas com Enrique Vila-Matas (Ed. Modelo de Nuvem). Acompanhado também do endereço do blog: www.falcaoklein.blogspot.com

O jogo

O centésimo em Roma é aquele tipo de time com camisetas padronizadas: escolheram um modelo na Ughini e mandaram gravar os nomes nas costas. O centroavante, aquele sujeito de barriga um pouco proeminente, fez questão de ficar com a 9: só jogo com a nove, ele diz, e os outros riem, porque é no condomínio do gordinho que eles jogam de vez em quando. Eles chegam falando alto, fazendo alongamento, puxando o meião.

Sinuca embaixo d’água é aquele tipo de time quase improvisado: a coisa mais próxima de um uniforme é uma combinação prévia do tipo: “Todo mundo de camiseta branca, tá?” – ou preta; e se alguém esquece e vai de verde, digamos, o time pode simplesmente virar o time-sem-camisa. É um time perfil baixo – um dos jogadores inclusive foi direto do trabalho e joga de calça jeans arremangada. Não há um gordinho centralizador: há coesão e, principalmente, gentileza no trato com a redonda. 

O jogo, afinal, mostra que as aparências enganam. 

*

Lendo O centésimo em Roma, entendemos porque Borges não gostava de longos romances: se a ideia é boa, um conto basta (um conto inclusive potencializa a ideia, deixando-a densa, plena de possibilidades); se a ideia não é boa, além de já ter sido pisada e repisada ao longo de séculos e séculos de Literatura Ocidental, por que levá-la mais uma vez adiante em um romance moroso e entediante? 

Em seu texto sobre o escritor argentino e a tradição, Borges fala que o autor do Corão, seguro de sua condição de árabe (sequer questionando a verossimilhança de sua condição de árabe), não menciona uma única vez sequer a palavra camelo. Grosso modo, a legitimidade do Corão está em sua feição enviesada, oblíqua: o camelo está ausente não por ser banal aos árabes (o Corão quer ultrapassar os tempos, quer ultrapassar os povos), mas por ser esteticamente desnecessário, e mais: por ser esteticamente perigoso, podendo dar uma dimensão postiça a um texto que se pretende eterno. 

O centésimo em Roma está cheio de camelos, camelos por todos os lados, muitos camelos a cada página. É um livro tão ensimesmado em sua pesquisa, em seu levantamento de bibliografia e dados factuais, que se torna claustrofóbico. Falta à história um ponto de contraste, uma ancoragem, um percurso definido em meio ao universo completamente alienígena do Império Romano. Como naquela passagem do filme de Scorsese: Howard Hughes acabou de filmar a primeira sequência com os aviões no ar – uma batalha aérea, muitos aviões, rios de dinheiro – e, ao ver o resultado, se dá conta de uma coisa: como não há contraste, como não existe um ponto fixo que ofereça a noção de movimento aos aviões que estão de fato se movendo, tudo parece de mentira, tudo parece de plástico, e de nada valeu gastar tudo que gastou, porque ficou idêntico a tudo que foi feito antes. 

Para efeito de placar, digamos que foi um gol contra: Sinuca, 1; Centésimo, 0. 

Inúmeros trechos de O centésimo em Roma contêm um humor semelhante ao de Luis Fernando Verissimo em seus melhores dias – um texto em especial, “Palavreado”, que está no clássico O analista de Bagé. “Palavreado” apresenta três breves cenas; a primeira é, de longe, a mais hilária: não posso ver a palavra “lascívia”, escreve LFV, sem pensar numa mulher, não fornida mas magra e comprida. Lascívia, imperatriz de Cântaro, filha de Pundonor. 

A graça, portanto, está no uso deslocado dos significantes, que não combinam com os significados que o leitor tem em mente (é uma aposta arriscada e, por que não, vanguardista de LFV: o efeito do procedimento depende inteiramente da capacidade de um leitor que nunca está dado). Lascívia tem “um olhar cheio de betume e cabriolé”. Leva seu amante até “uma prótese entreaberta”, depois de subir por um “escrutínio” e percorrer “um longo conluio”. 

O centésimo em Roma, não obstante sua volumosa seriedade, faz uso do mesmo procedimento – um humor involuntário que deixou a passagem das páginas um pouco menos penosa para o Crítico. Vemos um gladiador, vemos suas armas, e, na cena seguinte, ele “destroça o jarro com o gume do gládio” (p. 88). E, na cena seguinte, alguém “tem ao menos uma vantagem sobre o fugitivo: cravos na sola das cáligas” (p. 89). 

Ou ainda: “Dolens aferra a mão no cabo do gládio e perscruta ansioso a névoa” (p. 205). Ou coisas engraçadas num sentido mais amplo, como: “Um médico, porra!” (p. 155), ou “Não voltou para casa. Não se apresentou no quartel. ‘Estou fodido’, ele pensa e se vira de lado, disposto a dormir mais um pouco” (p. 242). E a última: “Sabe que ensinei Turpis a dizer ‘por favor’ e ‘obrigado’? Mostre a ele, Turpis. – Por favor, vá se foder. Obrigado – Turpis recita”. (p. 325). 

Mais um gol contra: Sinuca, 2; Centésimo, 0. 

*

Sinuca embaixo d’água recebe, portanto, uma imensa ajuda de seu próprio adversário. A construção enfadonha e pretensiosa de O centésimo em Roma é eficiente em sua improvisada tarefa de ressaltar os melhores pontos de Sinuca: a concisão, a montagem da narrativa a partir de imagens densamente capturadas, o trato exaustivo com a linguagem. 

Há um parágrafo, já quase no fim do livro, que aglutina esses elementos de forma exemplar: é a primeira e única aparição de Lucas, uma criança que entra na história pelo simples acaso de morar em frente ao local do acidente (o acidente de carro que mata Antônia, a protagonista ausente). É o último parágrafo, o acidente já aconteceu, todos estão chocados e Lucas fala de sua mãe: 

Foi só depois disso que minha mãe olhou para mim. Ela veio e pegou a minha cabeça como se fosse tirá-la do lugar, e eu fiquei feliz e infeliz tudo ao mesmo tempo, ainda mais quando passou os braços pelo meu pescoço e me esganava quase e, sem nenhuma vergonha daquela gente ali na nossa sala, ela começou a soluçar. As lágrimas dela molhavam a minha bochecha, era bem incômodo, mas eu não tinha saída. E assim ela ficou um tempo, me sufocando e dizendo Ai, meu filho, Que coisa horrível, mas ela não esperava que eu respondesse nem nada, e continuava Ai, meu filho, Ai, meu filho, quando Paulo resolveu abrir a boca e disse O que será que foi a última coisa que ela pensou? E acho que isso foi bastante terrível para todos nós. (p. 100). 

Muita coisa acontece aqui. Há, sem dúvida, a força da imagem: diante de uma tragédia, diante da morte de uma menina desconhecida (Antônia não tinha nem 20 anos), destroçada nas ferragens de um carro, a mãe volta-se instintivamente para seu filho, poderia ter sido ele, ou ainda, Deus, jamais permita que algo assim aconteça ao meu filho, etc. 

Há uma liberdade na pontuação, uma liberdade na sintaxe; há, em última instância, uma consciência da maleabilidade dos significantes (e não um uso risível e ingênuo deles, como em O centésimo em Roma). A literatura, se serve para alguma coisa, serve para contar a história da linguagem – não é a linguagem que serve para contar uma história, qualquer que seja essa história. E assim ela ficou um tempo, me sufocando e dizendo Ai, meu filho, Que coisa horrível, mas ela não esperava que eu respondesse nem nada, e continuava Ai, meu filho, Ai, meu filho. 

Essa ourivesaria da linguagem abre a literatura para sua arbitrariedade: esse parágrafo de Sinuca consegue, simultaneamente, suspender a descrença e escancarar seu mecanismo. E isso está posto no jogo mesmo da linguagem: a mesma liberdade que garante sua efetividade como história (e eu fiquei feliz e infeliz tudo ao mesmo tempo) permite, também, que o Crítico observe sua construção metódica, sua musicalidade, e toda a reverberação de textos anteriores, esteticamente fortes, que ocupam as camadas mais profundas de Sinuca. 

Seria preciso dar um gol a cada vez que Sinuca embaixo d’água oferece um parágrafo como esse – não são muitos, mas são o suficiente. Mas paro por aqui e encerro a partida: Sinuca, 3; Centésimo, 0.

PLACAR
Sinuca embaixo d’água 3 x 0 O centésimo em Roma

VENCEDOR
Sinuca embaixo d’água, de Carol Bensimon

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24 respostas para JOGO 48 – Sinuca embaixo d’água x O centésimo em Roma

  1. Ontem coloquei o GDL no blog de quinta reclamando da falta de resenhas como essa! Está deliciosa, perfeita. Adorei. Se o Kelvin fosse o crítico do jogo Unhas X Centésimo, talvez Unhas tivesse ganho, que pena… Mas acho que não passava do Sinuca, que, pelo jeito, é bão demais.

    Tô torcendo pro Sinuca agora. Embates fortes se aproximam! Se os resenhistas forem bons como o Kelvin, é a torcida é quem ganha!

  2. Samir disse:

    É curioso como a mesma quantidade de “camelos” que irritam um juiz agradam à outros. Pessoalmente, acho que a quantidade enorme de “camelos” no texto de Mallman mais o enriquecem do que o prejudicam, ainda mais considerando que é um texto histórico. Da mesma forma, me parece haver uma cobrança raivosa por mais linguagem, menos enredo, a velha rixa, como se uma opção tivesse mais mérito que outra. Sinceramente, fico decepcionado não apenas pelo resultado (gosto de ambos os livros, mas prefiro o do Max), mas pela resenha, que esperava que viesse menos carregada de preconceitos literários.

  3. Sergio disse:

    Concordo.

  4. Max Mallmann disse:

    Pois é. Preconceituoso esse rapaz. Não entendeu o livro. Mas tudo bem. A Carol Bensimon merece. E estou ansioso para acompanhar os próximos jogos.

  5. A lakaniana arbitragem do sr. Juiz condena de morte, tanto a crítica quanto o resultado do jogo. Críticas dessa natureza fazem mais mal à literatura do que qualquer bem. Uma pena que um Juiz literário pareça tanto quanto o Juiz Edilson, do futebol, aquele que confessou ter-se vendido para arrumar resultados. O ilustre árbitro deste jogo não entendeu nenhuma das duas obras que lhe coube criticar e optou pelo caminho mais fácil: Desprezar uma para garantir a vitória da outra. O livro da Carol é excelente, nada contra. Porém o Centésimo do Mallman é uma obra prima que merecia um “crítico” de verdade e não um apitador de peladas de quintal, metido a inteligente.

  6. Ah, como se levar a sério demais é complicado! As resenhas que eu mais gosto sempre são as mais execradas.

  7. Samir disse:

    Me ocorre que são dois livros cujos leitores são bastante passionais quanto aos méritos de cada obra e, tivesse sido o resultado do jogo o inverso, imagino que o juiz estaria sendo xingado pelo outro lado, então entendo que de um jeito ou de outro o Kelvin não teria para onde escapar. Não pretendia hostilizar o juiz mas, claro, continuo discordando da resenha e não gostando dos argumentos que ele usou, Mas a essa altura, acho que xingar o juiz faz parte do lado futebolístico do Gauchão.

    • Não concordo, Samir. O resultado é irrelevante, as duas obras são ótimas e podem ganhar perfeitamente. Não critiquei o Juiz pela escolha e sim pela maneira quase insolente, de tão arrogante e preconceituosa e quase infantil como se expressou. Nenhum Juiz, até agora, foi assim criticado por mim. De algumas críticas gostei mais do que das outras, mas esta, para mim, foi abaixo da crítica.

  8. Luiz Paulo Faccioli disse:

    Vou dar meu pitaco: literatura para mim é, sim, coisa séria. Muito séria. Isso não quer dizer que uma resenha não possa ser bem humorada, o que é coisa bem diferente de ser desrespeitosa. Detesto resenhista fazendo piadinha, gracinha e outros “inha”. (E não estou aqui tampouco censurando ninguém, estou dizendo o que acho e aceitando qualquer opinião em contário.) Antes de um resenhista se dar ao direito de debochar da obra alheia, que ele prove que sabe fazer melhor — e, até hoje, não conheço um único caso em que essa situação tenha ocorrido; os que mais gostam de desfazer são sempre os mais medíocres em produzir. Um livro, por pior que seja, deve ser sempre tratado com respeito. E, mais que nenhum outro, esses que aceitam dar a cara a tapa e participar do Gauchão.
    Concordo também com o Paulo Wainberg quando ele diz que o presente jogo é um embate entre duas correntes bem fortes hoje em dia; qualquer que fosse o resultado, ele desagradaria meia torcida.
    Outro fato que me tem chamado muito a atenção é a visão que árbitros de fora do RS têm da produção literária gaúcha. Ela me parece ser bem distinta da nossa própria, e acho interessante atentar para isso. Afinal, não são leitores pouco qualificados.
    My two cents.

    • Luiz Paulo Faccioli disse:

      Ops. Na realidade, a opinião com a qual concordo e quis registrar foi a do Samir, embora ela seja complementada em seguida pela do Paulo, daí minha confusão. Em suma, concordo com ambas.

    • Sharon disse:

      O negócio, Luiz, é que se o resenhista não colocar uma inha, as resenhas ficam todas iguais. 80% das resenhas desse gauchão parecem ter sido escritas pela mesma pessoa. Pegaram um modelo e o pessoal foi preenchendo, sem dar nenhuma impressão pessoal, nenhum pitaco fora do padrão, nenhum deslize. Ensaio, ensaio, ensaio. Eu, pessoalmente, acho cansativa essa seriedade toda. Parece coletânea de artigo acadêmico, capaz até que o pessoal colocou no lattes como publicação…

      Já no Campeonato Brasileiro de Literatura é completamente diferente, as resenhas são todas muito particulares, muito diferentes, muito pessoais. São inclusive mais literárias que as resenhas daqui. Quase toda resenha tem alguma piada. Nem toda piada é boa, nem toda piada é respeitosa, nem tudo agrada.

      My two cents é que isso é um site. Uma paródia de campeonato de futebol. Se for levado a sério, mesmo, então esses quatro livros são o melhor da literatura gaúcha dos últimos dois anos? É AGL? Jabuti? Passo Fundo? Acho que não é a mesma intenção, não é o mesmo público.

      Por isso eu gosto de resenhas debochadas. E tem esse menino, o Yuri, do Livrada! fazendo muito deboche e dando de dez em muito povo diplomado. As resenhas são ótimas, fresquinhas como não se vê desdo Millôr, mas não contam pro lattes, né?http://livrada.wordpress.com/

      • Diego Lopes disse:

        “Eu, pessoalmente, acho cansativa essa seriedade toda. Parece coletânea de artigo acadêmico, capaz até que o pessoal colocou no lattes como publicação…”
        Sharon, concordo.
        E digo o mesmo a respeito de alguns comentários.

  9. Fagundes disse:

    A Sharon acha que o Jabuti premia os melhores, então?

    • Não, a Sharon acha que o Jabuti trata a literatura como algo “sério, muito sério”. Eles seriamente acreditam que premiaram o melhor, não é? No fim das contas, é só uma puxação de saco infinita, mesmo que calhe de um premiado ser mesmo merecedor do prêmio. E eu acho que é isso que o pessoal que se leva muito a sério espera aqui.. puxação de saco. Polidas, sérias e chatas puxações de saco.

      Bem o contrário do que eu esperava, por ser internet, por ser relativamente independente, por ter um número grande de participantes…

  10. Claudio disse:

    Era esse tipo de resenha que queria ler. Acho que Mallmann faz um tipo de narrativa na linha Verissimo, um pouco desgastada, óbvia, e chata por ter que ser engraçadinha de quando em quando. Como se ele não tivesse capacidade de ir além, de provocar o público com algo a mais do que essas situações engraçadinhas e piadinhas (na verdade, os dois). Enfim. Mas o que queriam os detratores? Felizmente que o resenhista optou por ser idiossincrático. E tem critérios, sim. Só porque não se adequou às escolhas de outros é que se motivaram a espinafrá-lo! Sinceros parabéns. O gauchão não queria isso?

  11. Kelvin disse:

    Não há dúvida que literatura é uma coisa muito séria (importante) – justamente por isso eu gosto de tratá-la assim como ela aparece, Literatura, sem restrições como “literatura gaúcha” ou “literatura feminina”, que são cortinas de fumaça usadas para impedir o confronto estético direto.

    “Sinuca” e “Centésimo” devem ser lidos ao lado de “Auto-de-fé”, “Desonra” ou “Ruído branco”. E foram, ainda que implicitamente – e vcs viram o que aconteceu. Só os textos interessam.

    É claro que essa ampliação do campo de ação crítica me força a abandonar certos preceitos como a “intenção do autor” ou a “sacralidade da palavra inspirada” – e, com isso, eu acabo não entendendo uma porção de coisas no caminho.

    Eu devo ser um homem mau, um sujeito desagradável, eu devo sofrer do fígado – eu acordo todos os dias e desejo fazer mal à Literatura, tirá-la da sua zona de conforto, fazer gracinhas com suas partes pudentas, desrespeitar suas gagueiras, ficar pelado no quintal.

  12. AM disse:

    Talvez seja um bom reflexo do estado de grande miséria das letras gaúchas o que se apresenta nessa caixa de comentários:

    a) uma resenha bem argumentada e consistente, e inevitavelmente aberta ao contratexto, à leitura alternativa dos livros que, ao se expor, mostrará que essa resenha que lemos teve apenas como mérito gerar a outra, a melhor, a que mostrará para nós, candidatos à leitura dos livros, como é que a banda toca

    b) a total e absoluta incompetência dos advogados do livro perdedor para erguer um mínimo arremedo de argumentar que persuada a alguém – a mim, por exemplo – que esse livro do Mallman não é ridículo

    c) o patético movimento de quem assina aqui na caixa com o nome do autor (pode não ser, vai saber), a quem resta apenas o impotente balbucio que alega a incompreensão do outro, quando o outro deu muita demonstração de que compreendeu sim – embora, evidentemente, de um jeito que desagradaria o Autor

    Se o Autor está aqui, de fato, se prestando a tal papel, e se um Editor (Samir) está aqui, tb, desfilando sua incapacidade de defender o livro com o qual parece ter uma relação tão passional, talvez só reste mesmo desejar que sobrevivam alguns leitores depois dessa hecatombe – pois os profissionais gaúchos de literatura que vi aqui nessa caixa, quanta indigência. Está fazendo falta um pouco de inteligência – coisa que, pra desgraça de seus antagonistas, a resenha demonstrou à farta.

    • Samir disse:

      Oi AM,

      Só para esclarecer, não sou editor do livro do Max, que publica pela Rocco. Ironicamente, sou editor da Carol pela Não Editora, onde publicamos o Pó de Parede, e do qual me considero amigo pessoal, e já publiquei o Kelvin, juiz dessa partida, com um dos melhores e mais complexos contos do segundo volume de Ficção de Polpa, então não desconheço as habilidades dele como ficcionista pra saber que os argumentos dele não vem desprovidos de uma base real.
      Mas não vejo necessidade de defender o livro do Max mais do que ele já foi defendido em três ou quatro resenhas positivas anteriores, assim como o da Carol também foi. Considero os dois livros igualmente bons por motivos opostos, prefiro um ao outro por motivos pessoais como leitor (e desconfio quando alguém diz gostar de um livro baseado apenas em critérios técnicos). E sinceramente, me parece estranho ver tanto a Carol quanto o Max como expoentes das “letras gaúchas” num sentido regionalista. O Max mora no RJ faz anos, publicou por uma editora carioca (Rocco) um livro sobre romanos na Roma antiga, enquanto que o livro da Carol só tem de gaúcho o endereço atual da autora e a inspiração pra cidade anônima onde os personagens vivem. Os méritos (e deméritos, nenhum dos dois é perfeito) de cada livro merecem uma discussão menos amarga do que a que está se encaminhando aqui, e se foi o meu comentário inicial que desencadeou essa tendência gre-nal de discussões, então faço um mea culpa.

  13. Pingback: calopsitaescapista

  14. hugocrema disse:

    Apenas cito mal e porcamente algo que Elvira Vigna me disse uma vez: é bem engraçado como quase todas as defesas apaixonadas são no fundo uma defesa de uma partícula vivencial.

    Isso quando não se parte prum ataque pessoal, o argumento como acusação e talecoisa. Não se gosta ou desgosta de um argumento, se propõe e refuta, isso até eu sei. E juro que nem tô procurando pureza nem nada numa caixa de comentários. Mas não acho que pedir atinência aos livros e às resenhas seja pedir demais.

    De resto, achei o placar generoso, como devem ser os placares dos jogos entre Íbis e Tabajara F.C., também não fui convencido a correr na livraria pra comprar o livro dos camelos.

    lml.

  15. Carlos Lucas disse:

    1) “A literatura, se serve para alguma coisa, serve para contar a história da linguagem – não é a linguagem que serve para contar uma história, qualquer que seja essa história.” Ué, mas o outro livro tá em branco? Não tá usando frases e palavras? Ah, tá, o resenhista tá falando da linguagem DE VERDADE, da VERDEIRA linguagem, né? Ou o outro livro tá em branco mesmo?
    Aliás, esse platonismo de uma linguagem deslocada parece espiritismo. Amém.

    2) o parágrafo selecionado pelo resenhista (aliás, todo esse capítulo da criança narrando), é inverossímil.
    “As lágrimas dela molhavam a minha bochecha, era bem incômodo, mas eu não tinha saída.”
    Se uma criança tem essa sintaxe, deve ter um QI de 310.
    Ah, sim. Tá no eidos para além da sintaxe da linguagem, né?

    3)AM, tá rancoroso pq? Parece um guardião da verdade literária universal, agente do Supremo Tribunal Federal Literário, vulgo AM Sarney Skywalker. (aliás, AM rima com ACM) Chega e manda pará. Apontando o dedo pra cara de todo mundo, cagando regras em tudo que é debate. Manda um currículo pro Itau Cultural, talvez te chamem pro próximo evento e vc fique mais calminho.

    4)Acho que o CNPq não tá oferecendo o bolsa letrinha direito pra turma.

  16. Bruno Mattos disse:

    Eu concordo com todos acima, exceto aqueles que estão equivocados (e reprovo, ainda, os que estão sendo arrogantes ou fazendo piadinhas imbecis), mas não estou aqui para entrar no mérito – minha única dúvida é quanto à seguinte frase:

    “Literatura, se serve para alguma coisa, serve para contar a história da linguagem – não é a linguagem que serve para contar uma história, qualquer que seja essa história.”

    A lingugagem não serve para contar uma história? Que outras maneiras temos de contar uma história, então?

    Obrigado, e um abraço a todos (e sugiro, eventualmente, que tomem cuidado com o recalque).

  17. Sergio disse:

    Acho que a resenha do árbitro K foi um tanto preconceituosa, sim, mas prefiro um texto preconceituoso e inteligente a uma isenção simplória (partindo da ideia absurda de que possa haver isenção).

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